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segunda-feira, agosto 24, 2026

Braskem anuncia pedido de recuperação extrajudicial; mineração de sal-gema em Maceió levou ao afundamento do solo e à retirada de cerca de 60 mil moradores

Braskem informou, nesta segunda-feira (24), que pretende pedir recuperação extrajudicial para reestruturar uma dívida bilionária. A empresa era a responsável pela extração de sal-gema em Maceió quando, em 2018, tremores e o surgimento de grandes rachaduras alertaram autoridades e moradores da capital alagoana.

Cronologia dos fatos

A atividade de mineração na região começou em 1976 pela empresa Salgema Indústrias Químicas S/A, que passou por mudanças administrativas e de nome ao longo das décadas: em 1996 adotou a marca Trikem e, após fusões, tornou-se Braskem em 2002. A extração de sal-gema, matéria-prima para soda cáustica e PVC, tinha autorização do poder público.

Em 2012 a Braskem inaugurou uma fábrica de PVC no Polo Industrial de Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió. Em fevereiro de 2018 apareceram as primeiras grandes fissuras no bairro do Pinheiro, incluindo uma rachadura de 280 metros. Em março daquele ano, um tremor de magnitude 2,5 agravou as trincas e formou crateras, provocando danos irreversíveis em imóveis.

No começo de 2019, o piso de um apartamento no Pinheiro desabou de forma súbita, levando à evacuação de um prédio e ao interditamento de ruas pela Defesa Civil Municipal. Meses depois, moradores do Mutange e do Bebedouro também relataram fissuras e descolamentos em residências. Em maio de 2019 o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) confirmou que a extração realizada pela Braskem foi a causa da instabilidade do solo.

Em novembro de 2019 a Braskem anunciou o fechamento definitivo dos poços de extração em Maceió. A empresa iniciou então trabalhos para fechar e estabilizar 35 minas com profundidade média de 886 metros na região do Mutange e do Bebedouro, processo que especialistas estimaram demandar pelo menos dez anos.

Desde o agravamento do problema, mais de 14 mil imóveis foram desocupados, impactando cerca de 60 mil pessoas e deixando áreas antes habitadas parcialmente abandonadas. No final de 2019 a Braskem instituiu um Programa de Compensação Financeira; moradores insatisfeitos com os valores seguem em ações judiciais contra a empresa.

Em janeiro de 2022 teve início a demolição de cerca de 2 mil imóveis na encosta do Mutange, primeira etapa de um plano para uma área de aproximadamente 200 mil m². Em janeiro de 2023 a Braskem firmou acordo para ressarcir a Prefeitura de Maceió em R$ 1,7 bilhão por prejuízos ligados ao afundamento do solo.

No decorrer de 2023 moradores do Bom Parto reivindicaram inclusão no programa de compensação. Após uma série de tremores em novembro, a Defesa Civil de Maceió alertou para risco de colapso em uma das minas próxima à lagoa Mundaú e a Justiça Federal determinou a saída imediata de moradores, autorizando até uso da força policial se necessário. Em 29 de novembro de 2023 o Hospital Sanatório, no Pinheiro, transferiu todos os pacientes para outras unidades.

O rompimento de parte da mina 18 ocorreu em 10 de dezembro de 2023. A Defesa Civil informou que a cavidade foi preenchida com rocha e com água da lagoa, o que levou à estabilização da área. A Prefeitura de Maceió havia decretado situação de emergência, reconhecida pelo governo federal em 1º de dezembro de 2023.

A Polícia Federal deflagrou, em 2023, a Operação Lágrimas de Sal, cumprindo 14 mandados de busca e apreensão em Maceió (11), Rio de Janeiro (2) e Aracaju (1). Em 2025 a Defensoria Pública de Alagoas apontou indícios de afundamento em áreas além das oficialmente mapeadas e pediu a desocupação de locais como Flexal de Cima, Flexal de Baixo, Bom Parto e Marquês de Abrantes; a Defesa Civil afirmou que mantém monitoramento e, até então, não identificou motivo para ampliar as áreas de risco.

Em junho de 2025 moradores do Farol e do Pinheiro relataram surgimento de novas rachaduras, que foram vistoriadas pela Defensoria Pública. Em novembro de 2025 a Braskem e o governo de Alagoas anunciaram acordo de R$ 1,2 bilhão, com previsão de pagamento em 10 anos; a empresa informou ter pago R$ 139 milhões até então.

Em 2026 a Justiça Federal em Alagoas recebeu a denúncia do Ministério Público Federal contra a Braskem, ex-dirigentes e técnicos ligados à atividade de mineração que resultou no afundamento do solo em Maceió, tornando a empresa e os executivos réus na ação penal. Entre os crimes apontados pelo MPF estão poluição ambiental qualificada; elaboração e apresentação de estudos ambientais falsos ou enganosos; extração irregular de recursos minerais; e dano qualificado ao patrimônio.

Fonte: G1 – Mineração da Braskem: entenda como solo afundou em Maceió e obrigou 60 mil pessoas a deixarem suas casas

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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