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terça-feira, agosto 25, 2026

Setor de fertilizantes pede subvenção de R$ 2 bilhões ao governo por três meses devido à guerra no Irã

Indústria solicita apoio para manter oferta e preços

O setor brasileiro de fertilizantes está em tratativas com o governo federal para obter uma subvenção de R$ 2 bilhões válida por três meses, com objetivo de reduzir o impacto das altas internacionais dos insumos provocadas pela guerra no Irã e garantir preços adequados aos agricultores, segundo informações de um executivo da Mosaic à Reuters.

Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic no Brasil e no Paraguai, afirmou que a proposta tem como foco o enxofre, insumo derivado do petróleo cuja circulação global foi prejudicada. Cerca de 60% da produção mundial dessa matéria-prima passa pelo Estreito de Ormuz, região com transporte interrompido em função do conflito.

De acordo com Monteiro, a medida buscada seria semelhante aos subsídios concedidos ao setor de combustíveis pelo governo brasileiro. O pedido vem num momento em que o país, apesar de sua condição de potência agrícola, importa aproximadamente 90% do consumo nacional de adubos.

Em julho, a própria Mosaic anunciou cortes temporários de produção e hibernação de unidades de fertilizantes fosfatados no Brasil por conta das restrições no abastecimento de enxofre. Especialistas do setor estimam que o mercado interno, que atingiu um recorde de cerca de 49 milhões de toneladas em 2025, deve recuar este ano para uma faixa entre 42 milhões e 45 milhões de toneladas.

O executivo alertou para o risco de perda de produtividade nas safras de soja e milho 2026/27 — cuja semeadura começa em setembro — caso produtores reduzam aplicações de adubo devido aos custos maiores. Além do aumento no preço dos insumos importados, os agricultores enfrentam queda no poder de compra, margens de lucro comprimidas, restrição de crédito e juros elevados.

Monteiro também informou que as importações brasileiras de fertilizantes caíram cerca de 10% no acumulado do ano até julho e registraram retração de 50% em agosto até o momento. O setor conseguiu, por enquanto, amenizar efeitos com estoques adquiridos antes do conflito, mas o cenário futuro segue incerto caso o impasse no Oriente Médio persista.

Segundo projeções internas citadas pelo executivo, a não adoção da subvenção poderia provocar efeitos em cadeia sobre a balança comercial, o nível de atividade econômica, a arrecadação e, consequentemente, as contas públicas, com um impacto potencial estimado entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões. Na avaliação citada, cada R$ 1 investido na subvenção poderia evitar perdas na ordem de R$ 10 a R$ 15.

O tema vem sendo tratado em uma “sala de situação” que envolve os ministérios da Agricultura, Minas e Energia, a Casa Civil e o Ministério da Fazenda, mas ainda não há decisão tomada. Monteiro acrescentou que, mesmo se o conflito terminasse imediatamente, a normalização da oferta poderia levar cerca de 12 meses, considerando também restrições de oferta adotadas por outros fornecedores, como China e Rússia, além de ataques a instalações russas por parte da Ucrânia.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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