O artista visual e vídeo jockey Gabriel Javé Ferreira Vieira, natural de Pernambuco e atualmente residente em Uberlândia, foi o vencedor da categoria Novos Talentos da quinta edição do Cerrado Mapping Festival com a obra “Travessia”. A peça foi exibida na mostra competitiva de videomapping nos dias 21 e 22 de agosto, projetada sobre a fachada do Palácio dos Leões, na Praça Clarimundo Carneiro.
“Travessia” foi concebida como uma narrativa audiovisual em cinco episódios que utiliza a arquitetura histórica como suporte narrativo. A obra parte de elementos do cordel e da xilogravura para tratar da seca, da memória e da resistência do Cerrado: começa com cenas de feira e imagens em papel que dão lugar a um sol vermelho e a um chão marcado pela aridez; segue com a chegada de invasores que ameaçam a vegetação até restar apenas uma árvore; então a raiz atravessa o solo em busca de água e inicia um processo de renovação da paisagem; ao final, a narrativa retorna às referências do cordel.
Segundo o artista, a peça nasceu da interação entre direção e movimento, gerando projeções que funcionam “como corpos vivos de memórias”. Javé também explicou que o trabalho faz referência ao universo literário de Guimarães Rosa e à ideia de um sertão interior, o que motivou a escolha por uma estrutura circular que encerra a obra no mesmo ponto em que ela se inicia.
O Festival teve como tema “SER-TÃO” para esta edição de 2026, convidando criadores a interpretarem o sertão brasileiro e suas relações com o Cerrado. As projeções apresentadas na Praça Clarimundo Carneiro foram avaliadas por um júri composto por profissionais brasileiros e internacionais ligados ao videomapping e à arte digital.
Javé participou também de atividades formativas do evento, como o Workshop e o Visual Brasil Meeting promovidos no MUNA. O artista afirmou que exibir “Travessia” diante do público e ao lado de nomes consagrados da área já teria sido uma conquista, e que ter recebido o prêmio confirmou o valor do processo de pesquisa e experimentação empregado na obra.
Realizado entre 20 e 22 de agosto, o Cerrado Mapping Festival reuniu milhares de pessoas em Uberlândia. Além da mostra de videomapping na Praça Clarimundo Carneiro, o evento incluiu um circuito com sete instalações de luz no Parque da Granja Marileusa e uma programação formativa com profissionais nacionais e estrangeiros.
O festival, pioneiro em videomapping em Minas Gerais, teve sua primeira edição em 2020 na Vila de Santa Bárbara, em Augusto de Lima. A edição de 2026 marcou a quinta realização do evento e a segunda realizada em Uberlândia. A organização é da Oficina de Imagens e do Darklight Studio, com patrocínio do Grupo Algar por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e apoio da Prefeitura de Uberlândia, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Infoview e outros parceiros institucionais.
Fonte: Uberlandianofoco


