O Censo 2022, divulgado pelo IBGE, registrou pela primeira vez dados sobre o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil: 2,4 milhões de pessoas com dois anos ou mais foram identificadas como estando no espectro, o que representa 1,2% dessa população. Entre crianças de 5 a 9 anos, a prevalência chega a 2,6%, a maior entre as faixas etárias analisadas.
Com o levantamento oficial, surge para famílias a pergunta sobre quais sinais observar no desenvolvimento infantil e em que momento buscar avaliação profissional. A psiquiatra infantil Vanessa Menezes Gomes, da Clínica Haya Abdalla, ressalta que não se deve tentar diagnosticar em casa a partir de uma lista de sintomas. Segundo ela, o mais importante é monitorar o desenvolvimento, identificar mudanças persistentes e notar comportamentos que interfiram na comunicação, na interação social e na rotina da criança.
O que observar
Especialistas e o Ministério da Saúde lembram que o autismo não se reduz apenas ao atraso da fala. O transtorno pode envolver diferenças na comunicação, na interação social, comportamentos repetitivos e interesses restritos, além de respostas atípicas a estímulos sensoriais. Esses sinais variam muito entre crianças e podem aparecer antes do surgimento da fala.
Alguns sinais que merecem atenção — principalmente quando persistentes ou combinados — incluem: dificuldade para interagir, pouca ou nenhuma resposta ao chamado pelo nome, atraso na aquisição de habilidades ou perda de habilidades já adquiridas, movimentos ou rotinas repetitivas, resistência intensa a mudanças e reações incomuns a sons, texturas ou outros estímulos.
Para a atenção básica, o Ministério da Saúde indica o uso de instrumentos de rastreio, como o M-CHAT-R/F, destinado a crianças entre 16 e 30 meses. O teste é uma ferramenta para identificar risco, mas não substitui a avaliação clínica nem confirma o diagnóstico por si só.
Vanessa Menezes destaca a importância da atuação da família: os pais e cuidadores conhecem o comportamento cotidiano da criança e frequentemente são os primeiros a notar alterações ou ausência de desenvolvimento esperado. Ela orienta que essa percepção seja levada ao profissional sem culpa ou pânico, pois buscar avaliação visa entender necessidades e oferecer suporte adequado.
O Ministério da Saúde reforça que, mesmo antes da confirmação diagnóstica, já podem ser iniciadas medidas de cuidado e suporte quando há suspeita de alteração no desenvolvimento. Intervenções precoces não alteram a identidade da criança, mas podem ajustar a forma como ela e sua família recebem apoio para promover autonomia e qualidade de vida.
Sobre a Clínica Haya Abdalla
A Clínica Haya Abdalla oferece atendimento em geriatria, cardiologia e psiquiatria, com enfoque no cuidado individualizado. Inaugurada em março de 2026, a clínica está localizada no Jardim Karaíba e tem como líder a Dra. Ludmila Carrara. Endereço: Rua Rafael Marino Neto, 600, Sala 103, 1º andar – Jardim Karaíba, Uberlândia – MG. Telefone/WhatsApp: (34) 99681-2100.


