Trabalho por aplicativo cresce e concentra transportes de passageiros
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em 2025, 1,2 milhão de pessoas atuavam no transporte de passageiros por meio de plataformas digitais. Esse contingente representa 58,9% do total de cerca de 2 milhões de trabalhadores que usavam aplicativos ou plataformas digitais de serviços no país, considerando ocupação principal e secundária.
Panorama do mercado de trabalho plataformizado
No terceiro trimestre de 2025, o Brasil registrou 102,4 milhões de pessoas ocupadas. Destas, aproximadamente 2 milhões realizavam atividades por meio de aplicativos. A maioria — 1,8 milhão — tinha o trabalho por aplicativo como ocupação principal; 182 mil o exerciam como atividade secundária.
Entre os trabalhadores plataformizados, o transporte de passageiros concentrou a maior parcela, com 1,2 milhão de pessoas. Do total, 232 mil utilizavam apps específicos para taxistas e cerca de 1,1 milhão operavam em outros aplicativos de transporte de passageiros. Aplicativos de entrega de comida e produtos reuniam 585 mil trabalhadores, enquanto plataformas de serviços gerais ou profissionais eram usadas por 313 mil.
Evolução e perfil dos trabalhadores
Considerando apenas o trabalho principal, o número de pessoas que trabalhavam via plataformas digitais alcançou 1,8 milhão em 2025, alta de 36,8% em relação a 2022 e de 9,1% frente a 2024. Entre esses, o transporte de passageiros concentrava 1 milhão, ou 57,5%, e os aplicativos de entrega reuniam 531 mil trabalhadores. Os entregadores cresceram de 274 mil em 2024 para 325 mil em 2025, variação de 18,6%.
O perfil demográfico apontou predominância masculina: 84,4% eram homens e 15,6% mulheres. A faixa etária de 25 a 39 anos concentrava 47% dos trabalhadores. Quanto à escolaridade, 62,5% tinham nível médio completo ou superior incompleto. A forma de ocupação mais comum foi a autonomia, presente em 86,8%, e o setor de transporte, armazenagem e correios concentrava 75% dos plataformizados.
Rendimento, jornada e proteção previdenciária
O rendimento mensal médio dos trabalhadores por aplicativo era praticamente igual ao dos demais ocupados no setor privado: R$ 3.147 contra R$ 3.148. Porém, a jornada média era maior: 44,7 horas por semana, ante 39,3 horas dos demais. Calculado por hora, o ganho dos plataformizados era menor — R$ 16,20 por hora contra R$ 18,40 dos não plataformizados.
Entre condutores de automóveis, havia 2 milhões de pessoas na atividade em 2025, das quais 905 mil (45,9%) eram trabalhadores plataformizados. Motoristas de aplicativo tinham rendimento médio mensal de R$ 2.873 e jornada média de 45,9 horas semanais; condutores não plataformizados recebiam R$ 2.805 com jornada de 40,4 horas. Por hora, os motoristas de aplicativo recebiam R$ 14,40 contra R$ 16,00 dos demais condutores.
Quanto à proteção social, apenas 25,5% dos motoristas de aplicativo contribuíam para algum instituto oficial de Previdência em 2025, ante 59,2% dos condutores não plataforma. Considerando todos os trabalhadores plataformizados, 34% contribuíam para a Previdência. A taxa de informalidade entre quem trabalha por aplicativo chegava a 72,1%, diante de 42,7% entre os demais ocupados do setor privado.
Motivos e grau de dependência das plataformas
O IBGE, pela primeira vez, perguntou o motivo principal para usar plataformas digitais. A resposta mais citada foi a flexibilidade, apontada por 26,8%. Em seguida vieram a dificuldade de encontrar outro emprego (24,6%), a percepção de rendimento maior (20,8%) e a possibilidade de complementar renda (16,6%).
Sobre dependência, 81,1% dos motoristas de transporte particular de passageiros afirmaram que a jornada era influenciada pela possibilidade de escolher dias e horários. Outros fatores apontados foram incentivos, bônus ou promoções (56,3%) e ameaças de punições ou bloqueios (25,3%). Além disso, 62,7% dos trabalhadores plataformizados exerciam a atividade exclusivamente por meio das plataformas. Em relação ao número de apps usados, 62,5% operavam com apenas uma plataforma, 30% com duas e 7,5% com três ou mais, resultando em 38,8% que trabalhavam exclusivamente por aplicativo e com apenas uma plataforma.
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