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terça-feira, setembro 8, 2026

Alunos de países ricos registram pior desempenho da história no PISA; leitura e uso de IA são citados como fatores

Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2025, divulgados nesta terça-feira (8), mostram que os países mais ricos tiveram o pior desempenho da história da avaliação para alunos de 15 anos. Mais de 760 mil estudantes de 91 nações foram avaliados, e as médias da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) caíram nas três áreas testadas: leitura, matemática e ciências.

Quedas por área

A leitura sofreu o recuo mais acentuado: a média da OCDE caiu 28 pontos na última década, enquanto sistemas fora da organização registraram perda de 16 pontos. No recorte entre 2018 e 2025, a queda média em leitura dentro da OCDE foi de 25 pontos, com países como Islândia e Eslovênia apresentando perdas superiores a 50 pontos.

Em matemática, a pontuação média dos países da OCDE caiu 22 pontos na última década, contra redução de 8 pontos nas demais economias avaliadas. Em ciências, entre 2015 e 2025 houve recuo médio de 7 pontos na OCDE, enquanto os demais países mantiveram desempenho estável.

Baixo desempenho simultâneo e desigualdade

O retrocesso elevou para 29% a parcela de adolescentes em países ricos classificados com baixo desempenho nas três áreas ao mesmo tempo, ante 25% em 2022. A maior queda ocorreu entre o quarto mais favorecido socioeconomicamente: estudantes das famílias mais abastadas foram os que mais perderam habilidade de leitura entre 2018 e 2025. Isso reduziu a diferença de desempenho entre os mais ricos e os mais pobres na média da OCDE de 88 para 77 pontos — uma redução decorrente da piora dos mais favorecidos, não de melhoria dos vulneráveis.

Causas apontadas

Analistas consultados pelo estudo vinculam a deterioração a mudanças no comportamento leitor e ao ambiente escolar e familiar. O hábito de ler por prazer caiu e a chamada “leitura apressada” quase dobrou entre 2018 e 2025, alcançando 9%. A partir de 2022, aumentou a proporção de estudantes que consideram chato aprender assuntos novos, chegando a uma média de 16% na OCDE; também declinaram curiosidade e perseverança, e a taxa de faltas inteiras subiu 3 pontos percentuais.

As distrações digitais são citadas como relevantes: 28% dos alunos na OCDE relataram que colegas se distraem com celulares e dispositivos na maioria ou em todas as aulas de ciências.

Impacto do uso de inteligência artificial

O uso frequente de ferramentas de IA apareceu ligado a desempenho mais baixo em algumas medidas: estudantes que recorrem com frequência a chatbots para tarefas como resumir leituras ou redigir textos obtiveram, em média, 20 pontos a menos em ciências do que os que não usam — uma diferença equivalente a um ano de escolaridade, segundo a métrica da OCDE. No Canadá e na Nova Zelândia, alunos que usam IA para redigir textos alcançaram, respectivamente, 29 e 36 pontos a menos do que os que escrevem por conta própria.

O Pisa aponta que cerca de 1 em cada 5 alunos na OCDE usa ferramentas de IA de forma quase diária para trabalhos escolares; apenas 14% relatam nunca ou quase nunca recorrer a essas tecnologias. Pesquisadores alertam que o uso descontrolado pode gerar perda de treino de habilidades como compreensão de texto, formulação de argumentos e resolução de problemas.

Países com maiores quedas e financiamento

Entre 2022 e 2025, perdas em leitura entre 20 e 30 pontos foram registradas em países como Dinamarca (-29), Sérvia (-26), Noruega (-24), Espanha (-23), Croácia (-22), Suécia (-21), Hungria (-21), Hong Kong (-20) e República Tcheca (-20). Declínios ainda maiores ocorreram na Letônia (-45), Israel (-38), Guatemala (-37) e Malta (-31).

O relatório também indica que existe correlação positiva entre gasto por aluno e desempenho até o limite acumulado de US$ 85.000; acima disso a relação desaparece. Luxemburgo, com gasto por aluno de US$ 288.521, aparece como exemplo: apesar do alto investimento, registrou média em ciências inferior à de países como Irlanda, França e Itália, que investem menos da metade por aluno.

Os resultados do Pisa 2025, segundo especialistas, apontam para a necessidade de mudanças nos modelos de ensino e nas práticas familiares para recuperar atenção, engajamento e competências consideradas essenciais na era digital e da inteligência artificial.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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