21.6 C
Uberlândia
quarta-feira, setembro 16, 2026

Levantamento aponta que quase dois em cada três conteúdos políticos de IA não informaram uso da tecnologia

Estudo identifica alta taxa de não sinalização de conteúdos de IA em publicações políticas

O Observatório IA nas eleições, iniciativa da Data Privacy Brasil em parceria com o Aláfia Lab, concluiu que quase dois em cada três conteúdos políticos produzidos por inteligência artificial publicados nas redes sociais no período entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026 não deixaram claro que foram gerados por essa tecnologia. A omissão contraria regras da Justiça Eleitoral.

Foram examinadas 413 publicações no total. Destas, 250, cerca de 60%, foram classificadas como sátira, com propósito de ridicularizar políticos. Os outros 163 registros, aproximadamente 40%, foram identificados como desinformação.

Segundo o levantamento, a ausência de rotulagem levanta preocupação sobre a moderação de conteúdos sintéticos tanto por parte das contas que os publicam quanto pelas plataformas digitais, que, apesar de oferecerem recursos de sinalização, possivelmente não estão aplicando esses mecanismos de forma apropriada.

A maioria dos materiais que não indicavam o uso de inteligência artificial ou que foram categorizados como desinformação foi compartilhada por usuários anônimos. Entre candidatos com publicações desse tipo, o deputado Flávio Bolsonaro (PL) aparece como o que mais divulgou conteúdos questionáveis, com 13 publicações.

Na lista de agentes que compartilharam esse tipo de material aparecem também o deputado federal Mário Frias (PL-SP), com dez publicações; o ex-governador Romeu Zema, candidato à Presidência pelo Novo, com cinco; o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), com três; e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), com três publicações.

Por partidos, o PL foi o que mais propagou mensagens produzidas com inteligência artificial de forma indevida, com 28 publicações. O PT teve quatro publicações identificadas e o PSDB, duas.

O estudo aponta ainda que 81% dos casos envolveram manipulação de imagem ou voz de pessoas públicas, técnica conhecida como deepfake. O principal alvo dessas manipulações foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com imagem ou voz alteradas de modo pejorativo em 112 publicações. Flávio Bolsonaro foi alvo em 57 situações.

O relatório ressalta a definição de deepfake como conteúdo sintético produzido ou manipulado por inteligência artificial ou tecnologia equivalente, com realismo suficiente para reproduzir ou alterar imagem, voz ou manifestações de pessoas vivas, falecidas ou fictícias. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu o uso de deepfakes nas eleições quando caracterizados como propaganda eleitoral.

A notícia segue sem desdobramentos adicionais a partir dos dados divulgados pelo observatório.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também