Copom reduz Selic para 13,75% ao ano
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira (16 de setembro de 2026), um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, levando a Selic de 14% para 13,75% ao ano. A decisão foi tomada de forma unânime e representa o quinto ajuste de redução consecutivo na taxa.
Em nota, o Copom afirmou que a decisão está alinhada com a estratégia de convergência da inflação para próximo da meta no horizonte relevante. O comitê ressaltou que, além do objetivo central de assegurar a estabilidade de preços, a medida contribui para suavizar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego.
Sobre o cenário doméstico, o colegiado avaliou que os indicadores econômicos divulgados desde a reunião anterior mostram “uma moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente, e mercado de trabalho aquecido”. O Copom acrescentou que a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram nas divulgações mais recentes, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, mas permanecendo acima da meta.
O mercado financeiro revisou para baixo a projeção de inflação para 2026, passando de 5% para 4,9%, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira, 14 de setembro de 2026, com base em pesquisa junto a mais de 100 instituições.
O comitê indicou que segue atento à evolução da situação fiscal do país e que a próxima reunião será realizada após o segundo turno das eleições. O Copom afirmou ainda que continuará avaliando os efeitos dos desenvolvimentos da política fiscal sobre a política monetária e os ativos financeiros, adotando postura de cautela diante de maior incerteza.
Quanto ao ambiente externo, o comitê destacou incertezas decorrentes dos conflitos no Oriente Médio e das decisões de política monetária em economias avançadas, apontando que esse contexto aumenta a volatilidade de preços de ativos e de commodities e exige cautela por parte de países emergentes.
Com a nova decisão, o Brasil permanece com o maior juro real do mundo, segundo levantamento compilado pela MoneYou, em 8,45%. A Rússia segue em segundo lugar, com juro real de 6,79%, e a Colômbia em terceiro, com 6,33%. No levantamento anterior, a diferença entre Brasil e Rússia era de 0,21 ponto percentual (9,30% contra 9,09%).
Reação internacional: alta de juros nos EUA
No mesmo dia, o Federal Reserve (Fed) elevou a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano, em decisão unânime e a primeira alta desde julho de 2023. O Fed citou o aumento do preço do petróleo e as tensões no Oriente Médio como fatores que reforçaram preocupações com a inflação. O Comitê Federal de Mercado Aberto afirmou que a atividade econômica americana segue em expansão sólida e que os gastos domésticos permanecem resilientes.
O Fed também sinalizou que a maioria de seus integrantes espera pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto em 2026. O Banco Central brasileiro observou que a política de juros dos EUA tem impacto sobre o Brasil, elevando a pressão para manutenção de juros elevados localmente e afetando o câmbio.
Sistema de metas e horizonte de política
O Copom lembrou que opera pelo sistema de metas de inflação. Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, a meta central foi fixada em 3%, com intervalo de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Como a inflação ficou seis meses consecutivos acima da meta até junho, o Banco Central teve de divulgar carta pública explicativa.
Ao definir a taxa, o comitê toma como referência projeções futuras de inflação, devido ao atraso de seis a 18 meses para que mudanças na Selic sigam para a economia. Nesse sentido, o banco já mira a convergência para a meta considerando o primeiro trimestre de 2028. As estimativas do mercado financeiro para a inflação estão em 4,9% para 2026, 4,3% para 2027 e 3,8% para 2028, todas acima da meta central.
Fonte: G1


