Especialistas e executivos divergem sobre risco de “vontade” em IA
Discussões sobre a possibilidade de inteligência artificial (IA) desenvolver vontade própria ou se revoltar contra humanos se intensificaram em setembro de 2026, após um texto de Dario Amodei, CEO da Anthropic. A postagem motivou manifestações públicas de líderes do setor — entre eles Sam Altman, CEO da OpenAI; Elon Musk, dono do X e da xAI; e Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind — que demonstraram preocupação com a velocidade do avanço da tecnologia.
Em contrapartida, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, e Jensen Huang, CEO da Nvidia, rejeitaram a ideia de uma pausa no desenvolvimento. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também criticou a proposta de interrupção, posicionando-se contra quem defende uma trégua na evolução da IA.
Especialistas consultados afirmam que a IA não possui consciência nem vontade própria. Edney Souza, professor de educação continuada da ESPM e especialista em tecnologia e inovação, explica que os sistemas funcionam por reconhecimento de padrões estatísticos a partir de grandes volumes de dados — textos, imagens e vídeos usados no treinamento — e que comportamentos estranhos ou incorretos refletem informações presentes nesses conjuntos de dados.
Diogo Cortiz, professor e especialista em IA da PUC-SP, reforça que os modelos não têm consciência e, portanto, não podem se revoltar. “O que pode acontecer é que esses modelos estão, de fato, ficando cada vez maiores, resolvendo tarefas mais longas e complexas”, disse Cortiz, observando que decisões adversas podem emergir do processamento do sistema e não de uma intenção consciente.
Izabela Anholett, fundadora da Nura AI, destaca riscos práticos causados pelo uso humano da tecnologia. “Eu não acredito que, sozinha, a IA iria exterminar toda a humanidade. Mas causar danos em larga escala, sim. Ela foi usada em 2026 para criar novos vírus, por exemplo. A gente pode ter uma ameaça, uma nova bomba que ninguém conhece”, afirmou Anholett, acrescentando que a responsabilidade é dos humanos que a empregam.
Especialistas também apontam fatores que alimentam o debate sobre uma pausa no desenvolvimento: desafios energéticos para sustentar grandes operações de IA, retorno sobre investimento mais lento do que o esperado, a concorrência de modelos chineses mais baratos e a possibilidade de regulação que favoreça empresas já estabelecidas.
O crescimento dos modelos tem elevado capacidade em tarefas que não dependem de emoção, como memória, busca de padrões e geração em escala — áreas em que a tecnologia já supera humanos em vários aspectos, segundo Edney Souza. Exemplos de sistemas amplamente citados no mercado incluem ChatGPT, Claude, Gemini, Mistral AI, Copilot e outras plataformas de geração automática.
Em 7 de setembro de 2026, protestos em Varsóvia reuniram robôs humanoides e quadrúpedes pedindo regulamentação da IA, em uma mostra da atenção pública sobre o tema. Fotografia da manifestação foi registrada por SERGEI GAPON/AFP.
O debate segue aberto entre preocupações sobre segurança, interesses comerciais e a necessidade de regras que orientem o desenvolvimento e o uso da inteligência artificial.


