24.6 C
Uberlândia
quarta-feira, abril 29, 2026

Brasil registra recorde de acidentes e mortes no trabalho em 2025; caminhoneiros lideram óbitos

O Brasil teve em 2025 o maior número de acidentes e de mortes relacionados ao trabalho já registrado no país: foram 806.011 acidentes e 3.644 óbitos, segundo levantamento da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No conjunto do período entre 2016 e 2025, o estudo aponta 6,4 milhões de acidentes e 27.486 mortes, além de mais de 106 milhões de dias de trabalho perdidos por afastamentos temporários e aproximadamente 249 milhões de dias debitados, indicador que mede o impacto permanente de lesões graves e mortes.

Os números foram compilados a partir das Comunicações de Acidentes de Trabalho (CAT) registradas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e no eSocial, abrangendo apenas trabalhadores com vínculo formal (carteira assinada).

Aumento e contexto

Após a queda observada em 2020, em razão da retração econômica provocada pela pandemia de Covid-19, os registros voltaram a crescer de maneira contínua. Entre 2020 e 2025 houve alta de 65,8% no total de acidentes e de 60,8% nas mortes registradas. Embora a taxa de incidência — que relaciona acidentes ao total de trabalhadores formais — tenha recuado ao longo da década, o avanço no número absoluto de casos indica que a expansão do emprego formal não foi acompanhada por melhoria equivalente nas condições de segurança no trabalho.

Para Alexandre Scarpelli, auditor-fiscal do trabalho e diretor de Segurança e Saúde no Trabalho da SIT, os dados demonstram a necessidade urgente de ampliar a proteção aos trabalhadores, reforçar a cultura de prevenção, aprimorar as condições laborais e intensificar a atuação conjunta entre governo, empregadores e trabalhadores.

Desigualdade regional

Em valores absolutos, São Paulo concentra o maior volume de acidentes e mortes: nos últimos dez anos, registrou 2.219.859 acidentes (34,4% do total nacional) e 6.517 óbitos (23,7%). Os estados do Sul e do Sudeste — São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio de Janeiro — concentram 68% dos acidentes e 62% das mortes, reflexo do peso industrial e do setor de serviços formais nessas regiões.

Estados como Tocantins, Mato Grosso e Maranhão apresentam as maiores taxas de letalidade, indicando maior gravidade dos acidentes. Mato Grosso é destacado como caso de “duplo alerta”: está entre os três primeiros tanto na taxa de acidentes quanto na de letalidade, com 1.257 óbitos e taxa de letalidade de 9,24 — aproximadamente 1 em cada 100 acidentes resulta em morte, o dobro da média nacional. Nas regiões Norte e Nordeste há uma “letalidade oculta”: apesar de menor volume de acidentes, estados como Tocantins, Maranhão, Pará, Rondônia e Piauí registram taxas elevadas de óbitos.

Setores e ocupações

Por atividade econômica, o setor de saúde, especialmente o atendimento hospitalar, lidera em número absoluto de acidentes, com mais de 500 mil registros, situação atribuída à alta concentração de profissionais e à sobrecarga das equipes no período pós-pandemia. O transporte rodoviário de cargas é o segmento com maior letalidade, acumulando 2.601 mortes entre 2016 e 2025.

Por ocupação, técnicos de enfermagem são os mais afetados por acidentes, enquanto caminhoneiros lideram as mortes, com 4.249 óbitos em dez anos — média superior a uma morte por dia. A construção civil também figura entre os setores mais perigosos, combinando elevado número de acidentes com alta mortalidade; em obras de montagem industrial, a taxa de incidência chega a 80.000 acidentes por 100.000 trabalhadores.

Perfil dos acidentes e evolução

Os acidentes típicos — aqueles ocorridos durante a execução da atividade profissional — correspondem a cerca de 65% do total, mas os acidentes de trajeto ganharam participação ao longo dos anos. As doenças ocupacionais tiveram um pico em 2020, impulsionado pelo reconhecimento de casos de Covid-19 como relacionados ao trabalho, sobretudo entre profissionais da saúde.

A participação feminina entre as vítimas aumentou: as mulheres passaram a representar 34,2% dos acidentes registrados, com crescimento de 48% ao longo da década, principalmente em setores como saúde, serviços e administração pública.

O estudo do Ministério do Trabalho reafirma a necessidade de fortalecer a cultura de prevenção e aprimorar condições de trabalho para reduzir acidentes e mortes. Apesar da recuperação econômica e da formalização do emprego, os dados indicam que o crescimento sem investimentos em segurança resulta em elevado custo humano e produtivo.

Fonte: G1 – Trabalho e Carreira

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também