Preços sobem e impacto aparece nas ruas
O aumento do preço da gasolina nos Estados Unidos tem apertado orçamentos e gerado insatisfação entre eleitores, pequenos empresários e trabalhadores que dependem do carro para trabalhar. No sul do Texas, o entregador da Amazon Quinten Martinez, de 28 anos, observou o valor subir no visor da bomba e disse questionar se a família terá dinheiro para comida ou combustível.
Analistas e estrategistas eleitorais apontam que os preços dos combustíveis são um indicador econômico visível aos eleitores e podem influenciar o voto nas eleições legislativas de novembro. A gasolina tem subido em um período em que normalmente os preços recuam.
Posição do presidente e reação pública
Em um evento de campanha na Carolina do Norte na semana passada, o presidente Donald Trump minimizou a alta dos combustíveis e declarou: “Está um pouco mais alto. É um preço muito baixo a pagar pelo que fizemos”, referindo-se à guerra que descreve como necessária para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear.
Em entrevistas por diferentes regiões, eleitores demonstraram frustração com o aumento — tanto opositores quanto apoiadores de Trump. Alguns planejam punir os republicanos nas urnas; outros, apesar de reclamarem da economia, afirmam que continuarão votando no Partido Republicano.
Exemplos de custos e relatos
Segundo a associação automotiva AAA, em 18 de setembro o preço médio nacional chegou a US$ 4,48 por galão, equivalendo a aproximadamente US$ 1,18 por litro. Na comparação, o valor aumentou cerca de US$ 0,17 em uma semana, US$ 0,40 em um mês e US$ 1,27 em relação ao mesmo período do ano anterior. Em Lansing, o diesel era cotado a US$ 6,79 por galão, cerca de US$ 1,79 por litro.
Em Mesa, no Arizona, o carpinteiro Dan Lloyd, de 63 anos, pagava US$ 4,39 por galão e criticou a decisão do presidente de entrar no conflito, mas disse que pretende votar no Partido Republicano. Em Edinburg, no Texas, Kristin Jimenez, de 52 anos, proprietária de pequena empresa, afirmou que já pagou preços semelhantes sob presidentes de ambos os partidos e planeja votar em um candidato republicano.
Na região central de Michigan, o empresário Garth Johnson, de 35 anos, que opera uma empresa de limpeza pesada, disse sentir na prática o impacto do aumento dos combustíveis — ele usa vários veículos a gasolina e equipamentos a diesel — e ainda não decidiu seu voto. Em Lansing, a consumidora Rina Risper relatou pagar US$ 50 por oito galões de gasolina premium e disse temer o efeito das tarifas comerciais sobre o custo de vida.
Pesquisas e percepção da economia
Uma pesquisa da Fox News divulgada na quarta-feira mostra que o número de eleitores que afirmam estar ficando financeiramente para trás é mais de três vezes maior do que os que dizem estar avançando. Os democratas têm vantagem de 15 pontos percentuais quando questionados sobre qual partido administraria melhor a inflação e os preços. A pesquisa indica ainda que 61% dos eleitores consideram o preço da gasolina um problema importante para suas famílias, ante 48% há dois anos; 52% apontam gastos com saúde como importante, ante 44% em 2024.
No total, 63% dos eleitores afirmam que o governo piorou a economia — frente a 52% em setembro de 2025 — e essa avaliação negativa inclui cerca de um quarto dos republicanos. Entre eleitores do partido, 46% creem que o governo melhorou a economia, enquanto cerca de um quarto não percebe impacto.
Em estados como Virgínia, Michigan e Carolina do Norte, eleitores citaram a alta dos combustíveis como fator para escolher seus votos, enquanto outros enxergam a questão como apenas uma entre várias que afetam o custo de vida.
Fonte: G1


