Levantamento principal
O Anuário da Educação Básica 2026, divulgado pelo Todos Pela Educação em 22 de setembro de 2026, indica que apenas 14,7% dos ingressantes em cursos de licenciatura em 2024 estavam entre os 20% com melhor desempenho no Enem do ano anterior. O cálculo considera apenas os estudantes que realizaram o Enem no ano anterior ao ingresso no ensino superior.
O percentual de ingressantes de alto desempenho em licenciaturas é inferior ao registrado em outros cursos: 32,6% entre os ingressantes em Direito e 81,2% entre os que entraram em Medicina, segundo o anuário.
Tendência ao longo do tempo
O documento registra queda na presença de estudantes de alta performance nas licenciaturas ao longo dos anos: em 2018, 23,9% dos ingressantes em licenciaturas estavam entre os 20% melhores no Enem; o índice caiu para 14% em 2023 e ficou em 14,7% em 2024.
Formação inicial e avaliação
Entre os concluintes de cursos de licenciatura avaliados em 2025, 20,2% atingiram o nível considerado adequado no exame usado pelo levantamento, enquanto 42,2% ficaram abaixo do nível básico. No caso de cursos na modalidade a distância, 53,1% dos concluintes ficaram abaixo do nível básico, ante 26,1% entre os formados em cursos presenciais.
Outros destaques do anuário
O anuário também aponta redução no percentual de docentes da educação básica sem curso superior, de 23,6% em 2015 para 12,3% em 2025. No ensino médio, porém, um em cada três professores com diploma não leciona na área em que se formou.
Na educação infantil, 43,3% das crianças de 0 a 3 anos estavam matriculadas em 2025 — com 34,7% entre os mais pobres e 54,7% entre os mais ricos. Na faixa de 4 e 5 anos, a matrícula alcançou 96,1%, o maior índice da série histórica.
O anuário registra desigualdades étnico-raciais na trajetória escolar: em 2025, 92,1% dos jovens brancos e amarelos haviam concluído o ensino fundamental aos 16 anos, contra 86,3% dos pretos, pardos e indígenas; no ensino médio, aos 19 anos, os percentuais eram 81,7% e 69,5%, respectivamente.
Quanto à aprendizagem, na rede pública apenas 18,8% dos estudantes do 9º ano tinham aprendizagem adequada em Matemática em 2025; no ensino médio, o percentual foi 8,5%. Em Língua Portuguesa, os índices foram 38,3% no 9º ano e 35,2% no ensino médio.
As matrículas em cursos de nível médio da Educação Profissional e Tecnológica passaram de 764 mil em 2015 para 1,58 milhão em 2025, com 244 mil novas matrículas somente no último ano.
Os dados constam da 13ª edição do Anuário da Educação Básica, elaborado pelo Todos Pela Educação, Fundação Santillana e Editora Moderna, que reúne séries históricas e indicadores de acesso, aprendizagem, infraestrutura, gestão, educação inclusiva e equidade étnico-racial, incluindo comparativo entre 2005 e 2025.
Fonte: G1


