Quem: Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O quê: Rejeição a iniciativas de regulação global sobre inteligência artificial (IA) e recusa em impor limites ao avanço da tecnologia.
Quando e onde: Na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em 22 de setembro.
Em discurso na sede da ONU, Trump afirmou que “os Estados Unidos também rejeitam totalmente qualquer tentativa de criar um esquema globalista para controlar a inteligência artificial” e disse que não aceitará limitações ao desenvolvimento da tecnologia. Segundo o presidente, a nação norte-americana está “muito à frente da China e de todos os outros” e manterá essa vantagem.
O pronunciamento destacou a disputa entre Estados Unidos e China sobre modelos de governança da IA. A proposta americana, conforme exposta por Trump, prevê um sistema baseado em “parceiros confiáveis” para orientar e controlar o desenvolvimento da tecnologia. Em contrapartida, a iniciativa impulsionada por Pequim convoca todas as nações a integrar a governança por meio de sistemas de código aberto, que facilitam a apropriação por empresas ou organizações.
Ettore Arpini, especialista em governança de IA e fundador da organização Plures, disse à Agência Brasil que a posição de Trump se opõe a várias propostas internacionais que buscam criar alianças multilaterais para regular a tecnologia. “Isso é totalmente contrário ao movimento de outros países de formar uma aliança de potências médias para colaborarem, para trazerem de novo um multilateralismo e criarem um modelo de governança e de regulamentações internacionais para IA”, afirmou.
Trump declarou ainda que o país que controlar a tecnologia será o “vencedor” da nova revolução tecnológica e defendeu não sufocar o crescimento da IA, considerando-a potencialmente maior que a Revolução Industrial. Durante o discurso, anunciou mudança de nomenclatura: “Daqui para frente, será oficialmente chamada de superinteligência. Mudamos o nome porque o uso da palavra ‘artificial’ faz a inteligência parecer falsa”.
Arpini avaliou que a adoção do termo pode gerar confusão e fortalecer a narrativa americana de liderança na área. Para ele, o debate relevante é sobre as capacidades, o grau de autonomia dos sistemas, quem os governa e os efeitos sociais e geopolíticos produzidos.
Na semana anterior ao discurso, líderes da indústria de IA nos Estados Unidos defenderam uma desaceleração no desenvolvimento dos modelos mais avançados, diante da velocidade superior à de mecanismos de controle. Economistas também alertaram para risco de “bolha” no setor devido ao grande volume de investimentos e incertezas sobre retornos. Um informe do Banco de Compensações Internacionais (BIS) salientou: “A intensa competição aumenta o risco de as empresas alocarem recursos em excesso a projetos de investimento com retornos ainda incertos, tornando todas as empresas vulneráveis a decepções nos resultados da IA”.
Críticos da linguagem empregada na área, como o cientista Miguel Nicolelis, afirmam que chamar a tecnologia de “inteligência” funciona como metáfora ou estratégia de marketing para sugerir capacidades humanas inexistentes e valorizar serviços oferecidos por grandes empresas de tecnologia.
Fonte: Uberlandianofoco


