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quarta-feira, setembro 23, 2026

Pisa 2025: 20 estados e o Distrito Federal ficam abaixo do esperado em matemática para seus níveis socioeconômicos

Resumo do levantamento

Um levantamento elaborado pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), solicitado pelo g1, mostra que 20 estados e o Distrito Federal registraram notas em matemática no Pisa 2025 abaixo do esperado para seus perfis socioeconômicos. O estudo reclassificou os resultados estaduais nas três áreas avaliadas — matemática, leitura e ciências — considerando indicadores familiares dos estudantes, para comparar desempenho ajustado à realidade de cada localidade.

O que é o Pisa e como foi feita a adaptação

O Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) é coordenado pela OCDE e avalia competências em matemática, leitura e ciências de jovens de 15 anos. A edição mais recente contou com a participação de 91 países. Para analisar o desempenho dos estados brasileiros, o Iede padronizou os resultados levando em conta três dimensões do contexto familiar dos alunos: escolaridade dos pais (convertida em anos estimados de estudo), o status ocupacional mais alto entre os responsáveis (medido pela escala internacional ISEI) e recursos/bens em casa (posse de livros, computador, espaço para estudo e acesso à internet).

Principais resultados por disciplina

Em matemática, 20 estados e o Distrito Federal ficaram abaixo do que seria esperado para seu nível socioeconômico — ou seja, 21 unidades federativas no total. O Paraná se destacou como o estado que mais superou a expectativa, com 15 pontos acima do previsto. Por outro lado, Roraima apresentou o pior resultado relativo, ficando 50,2 pontos abaixo do esperado. Estados da região Norte, como Tocantins, Amapá e Amazonas, também aparecem entre as maiores diferenças negativas.

No recorte por leitura, o desempenho relativo do Brasil foi melhor: a maioria dos estados (24 dos 27) superou a expectativa para seu contexto. O Paraná liderou com 59 pontos acima do esperado, seguido por Minas Gerais (+52,9) e Ceará (+49,7). Apenas Roraima, Tocantins e Mato Grosso ficaram abaixo do projetado, sendo que Mato Grosso apresentou a menor diferença negativa (-1,0 ponto), praticamente dentro do intervalo esperado.

Em ciências, o Paraná novamente ocupou a primeira posição ajustada, com 39,8 pontos acima do projetado, seguido por Minas Gerais (+29,6) e São Paulo (+27,3). Roraima registrou a pior diferença relativa em ciências, com 40,4 pontos abaixo do esperado. O Distrito Federal, apesar de notas altas em termos absolutos, ficou levemente abaixo do previsto (-0,5).

Destaques e comparações

O Paraná foi o único estado a ficar acima do esperado nas três disciplinas avaliadas. Estados do Nordeste, como Ceará e Piauí, aparecem entre os que superaram as expectativas, inclusive em matemática — o Ceará teve 363,3 pontos em matemática e ficou 10,5 pontos acima do esperado para seu perfil socioeconômico. Em termos absolutos, São Paulo manteve as maiores pontuações entre os estados: 403,8 em matemática, 433,7 em leitura e 442,6 em ciências; ao ajustar pelo nível socioeconômico, a nota de matemática de São Paulo ficou apenas 2,3 pontos acima do previsto, a menor margem positiva entre os cinco estados que superaram a expectativa.

O levantamento ressalta também contrastes com estados mais ricos que tiveram desempenho aquém do esperado: o Rio de Janeiro, por exemplo, ficou abaixo da projeção em duas das três disciplinas avaliadas.

O que significa superar ou ficar abaixo da expectativa

Segundo os pesquisadores ouvidos, quando um estado tem desempenho acima do projetado isso pode indicar que políticas educacionais estão conseguindo mitigar parte das desigualdades do contexto familiar. Quando o resultado fica abaixo do esperado, a leitura é de que as condições e capacidades presentes não estão se convertendo em aprendizagem efetiva.

Comparações ao longo do tempo e limitações

Ao comparar médias de 2015 e 2025, o estudo adverte que as amostras do Pisa são relativamente pequenas para algumas análises estaduais, o que amplia as margens de erro. Os intervalos de confiança das duas edições frequentemente se sobrepõem, o que impede afirmar com segurança estatística grande parte das variações aparentes ao longo da década, conforme análise do diretor-fundador do Iede. Ainda assim, o Paraná alcançou 462 pontos em ciências e 458 em leitura em 2025; mesmo considerando a margem de erro, isso o coloca acima da faixa dos 450 pontos — um marco inédito para um estado brasileiro.

Os pesquisadores também alertam que comparar redes pública e privada dentro de um estado pode ser problemático quando há poucas escolas privadas na amostra, pois os erros-padrão das médias aumentam significativamente.

Contexto explicativo

O ajuste por nível socioeconômico baseou-se em três dimensões principais: escolaridade dos pais, status ocupacional dos responsáveis (ISEI) e recursos e bens em casa (incluindo livros, espaço para estudar, equipamentos e acesso à internet). Os especialistas envolvidos afirmam que essas variáveis influenciam a capacidade de crianças e adolescentes estudarem com regularidade e qualidade, afetando o desempenho medido pelo Pisa.

O levantamento do Iede foi feito a pedido do g1 e apresenta um panorama detalhado do desempenho por estado nas três disciplinas, considerando o contexto socioeconômico dos estudantes.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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