Quem e o que: O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a formalização de empregadores e trabalhadores por conta própria atingiu um recorde em 2025, quando 35% desse grupo possuía registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), ante 24% em 2012, primeiro ano da série histórica.
Quando e como: Os dados constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho, divulgada na quarta-feira (23). As comparações históricas desconsideram 2020 e 2021, anos em que a coleta e divulgação foram afetadas pela pandemia de Covid-19.
Avanço puxado pelos autônomos
O avanço geral foi liderado pelos trabalhadores por conta própria: a cobertura de CNPJ nesse grupo passou de 15% em 2012 para 27,1% em 2025, o maior valor da série. Ainda assim, 72,9% dos autônomos não tinham CNPJ no ano passado. Entre empregadores, a parcela formalizada subiu de 75,6% para 81,1% no período.
Diferenças por sexo, região e atividade
Em 2025, 36,7% das mulheres ocupadas como empregadoras ou autônomas tinham CNPJ, ante 34,2% dos homens, ampliando a diferença observada em 2012 (24,4% das mulheres e 23,8% dos homens). Regionalmente, o Sul apresentou a maior proporção, com 46,7%, seguido pelo Sudeste e pelo Centro-Oeste, ambos com 41,6%. As menores taxas foram no Nordeste (20,1%) e no Norte (15,6%). O Centro-Oeste registrou o maior ganho desde 2012, com alta de 14,3 pontos percentuais.
No detalhamento por setor, entre trabalhadores por conta própria o comércio e reparação de veículos liderou com 36,7% de cobertura de CNPJ, seguido por serviços (33,5%), indústria (22,8%) e construção (14,8%). A agricultura e atividades afins teve a menor taxa, de 6,5%. Entre empregadores, o comércio também teve a maior proporção registrada (88,2%), seguido por serviços (86,4%) e indústria (84,3%); a agricultura ficou em 32,7%.
Escolaridade e formalização
A escolaridade mostrou forte relação com a formalização. Em 2025, 50,8% dos trabalhadores por conta própria com ensino superior completo tinham CNPJ, primeira vez que o percentual ultrapassou 50% na série. Entre os com ensino médio completo ou superior incompleto a taxa foi de 29,7%; com ensino fundamental completo e médio incompleto, 18,6%; e entre os sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, 11,1%.
Entre empregadores, 91,8% dos que têm ensino superior completo possuíam CNPJ em 2025, contra 81,8% dos com ensino médio completo ou superior incompleto, 70,7% dos com ensino fundamental completo e 52,7% dos sem instrução ou com ensino fundamental incompleto.
Comentários do IBGE
Segundo William Kratochwill, analista de pesquisas do IBGE, a associação entre nível de instrução e registro no CNPJ está ligada ao processo de estruturação dos negócios: maior escolaridade tende a facilitar a compreensão de custos, precificação e operação, favorecendo o registro. Ele também afirmou que a menor cobertura entre autônomos pode refletir um contingente que está começando atividade ou migrou ao trabalho por conta própria após perda de ocupação, e que, conforme o negócio se estrutura, esses trabalhadores podem vir a contratar e tornar-se empregadores.
Kratochwill ressaltou que a PNAD Contínua não permite identificar se o aumento de registros está relacionado ao fenômeno conhecido como pejotização, portanto não há elementos na pesquisa para afirmar essa relação.
Os resultados mostram que, apesar do crescimento da formalização entre empregadores e autônomos nos últimos 13 anos, a cobertura do CNPJ permanece desigual conforme região, atividade econômica, sexo e nível de instrução.
Fonte: G1


