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quarta-feira, setembro 23, 2026

Governo libera R$ 64 milhões para ações emergenciais diante do El Niño

O governo federal autorizou a abertura de R$ 64 milhões em crédito extraordinário para enfrentar os impactos potenciais do El Niño. A decisão foi assinada pelo presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (22).

Distribuição dos recursos

Do total, R$ 40 milhões foram destinados ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) para aquisição e distribuição de alimentos produzidos pela agricultura familiar. O material divulgado pelo governo prevê a compra de aproximadamente 6,6 mil toneladas de mantimentos para a região da Amazônia Legal.

Os recursos do MDS têm previsão de alcançar cerca de 1,3 mil comunidades indígenas e beneficiar mais de 4 mil famílias de agricultores familiares. Os outros R$ 24 milhões serão aplicados em ações emergenciais articuladas pela Fundação Nacional do Índio (Funai), incluindo distribuição de água potável, alimentos e insumos essenciais para comunidades indígenas.

Riscos climáticos e previsões

A medida chega num momento em que o fenômeno El Niño se intensifica. O Painel El Niño 2026-2027, composto por instituições como INPE, INMET e Cemaden, aponta mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um El Niño de intensidade muito forte entre setembro e novembro, com possibilidade de permanência até o início de 2027.

Monitoramentos mostram aquecimento expressivo do Pacífico Equatorial: na região Niño 3.4, a anomalia de temperatura atingiu +3,04°C em 20 de setembro. As condições de El Niño foram confirmadas em junho de 2026 e modelos climáticos indicam 100% de probabilidade de manutenção do fenômeno até pelo menos o começo de 2027. O Cemaden cita estimativas da NOAA que indicam 69% de chance de o episódio 2026/2027 vir a ser o mais intenso desde 1950, conforme projeções dos modelos.

Impactos previstos no Brasil

As projeções para o trimestre setembro-outubro-novembro indicam maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul do país e tendência a precipitações abaixo da média em áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Minas Gerais e Espírito Santo aparecem entre as regiões do Sudeste com maior probabilidade de chuva inferior ao normal. Ao mesmo tempo, espera-se elevação de temperaturas em praticamente todo o território nacional.

Essa combinação entre calor e redução de chuva pode ampliar o déficit hídrico e aumentar o risco de incêndios florestais em pontos sensíveis. O histórico mostra que episódios fortes de El Niño já coincidiram com eventos extremos no passado, como a cheia em Blumenau em 1983 e as enchentes no Rio Grande do Sul em maio de 2024, que afetaram mais de 5,5 milhões de pessoas.

Medidas de governança e monitoramento

Em âmbito estadual, o governo de Minas Gerais instituiu, em setembro, o Comitê Estadual de Enfrentamento aos Efeitos do El Niño por meio do Decreto nº 49.283, com caráter consultivo e deliberativo para coordenar ações de monitoramento, prevenção, mitigação, preparação e resposta aos impactos no estado.

O governo federal também lançou uma página oficial dedicada ao El Niño, elaborada pela Secretaria de Comunicação Social e pela Casa Civil, que reúne informações sobre efeitos regionais, orientações para gestores públicos e medidas de prevenção e resposta a desastres.

Os órgãos responsáveis pelo Painel El Niño recomendam acompanhamento contínuo das previsões meteorológicas, especialmente diante da possibilidade de alterações no regime de chuvas, aumento de temperaturas e ocorrência de eventos extremos.

Fonte: Paranaibamais

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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