A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revisou para cima sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2026, para 2%, conforme relatório divulgado em 23 de setembro de 2026. A estimativa anterior, divulgada em junho, apontava alta de 1,6%. Para 2027, a OCDE reduziu a projeção de 2,1% para 1,9%.
O documento classifica o Brasil entre as economias emergentes do G20 que mantêm expansão econômica mesmo diante dos choques externos recentes, como o conflito no Oriente Médio e o aumento dos preços de energia. Segundo a OCDE, esse desempenho reflete uma “demanda doméstica resiliente”, que manteve consumo e investimento em níveis que sustentaram a atividade interna.
No segundo trimestre de 2026, o PIB brasileiro alcançou R$ 3,4 trilhões, valor que representa o total de bens e serviços finais produzidos no período. Em relação ao trimestre anterior, a economia cresceu 0,5%; em comparação com o segundo trimestre de 2025, houve alta de 2%. No acumulado de 12 meses, o PIB aumentou 1,9%.
A OCDE agora projeta crescimento de 2% para o ano de 2026 no acumulado em relação a 2025. Entre os fatores citados para a revisão estão políticas públicas que ajudaram a mitigar o impacto da elevação dos preços de energia sobre famílias e empresas.
A organização também destacou o comportamento da taxa de juros no Brasil: desde março houve queda superior a 1 ponto percentual, movimento contrário ao observado em vários outros países do G20, que elevaram juros no mesmo período. A entidade prevê novas reduções na taxa básica brasileira nos próximos meses, à medida que a inflação desacelera.
Cenário global e riscos
Para a economia mundial, a OCDE melhorou a estimativa de crescimento para 2026, passando de 2,8% para 2,9%. A entidade afirma que o impacto do conflito no Oriente Médio foi absorvido melhor do que o esperado graças a estoques de petróleo, aumento da oferta de energia fora da região do Golfo e medidas de apoio de governos.
O relatório também aponta o avanço dos investimentos relacionados à inteligência artificial como fator de suporte ao crescimento em alguns países. Em nações como Estados Unidos, Canadá e Austrália, aportes em data centers e equipamentos de tecnologia contribuíram para o resultado do PIB no segundo trimestre, beneficiando, por sua vez, produtores de componentes como China, Japão e Coreia do Sul.
Mesmo com a revisão positiva para 2026, a OCDE alerta para riscos. A manutenção de preços de energia elevados pode pressionar a inflação e reduzir o poder de compra das famílias. A entidade prevê perda de força do crescimento global no fim de 2026 e início de 2027, seguida de recuperação gradual caso o conflito no Oriente Médio seja resolvido. Além disso, a OCDE observa que investimentos em inteligência artificial embasam-se em expectativas de retornos elevados; se esses retornos se atrasarem ou forem menores, o ritmo de investimentos pode desacelerar.
Foto: Bandeira do Brasil hasteada em máquina agrícola na Agrishow 2023 em Ribeirão Preto, SP. Érico Andrade/g1
Fonte: G1


