A mineradora Vale registrou lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no primeiro trimestre de 2026, um avanço de 36% frente ao mesmo período de 2025. O resultado foi beneficiado pelo aumento dos volumes comercializados e pela elevação dos preços médios de seus principais produtos, embora tenha ficado ligeiramente abaixo da expectativa dos analistas, que apontavam para US$ 2 bilhões, segundo a LSEG.
Entre janeiro e março, as vendas de minério de ferro somaram 68,7 milhões de toneladas, crescimento de 3,9% ante o primeiro trimestre de 2025. O preço médio do produto principal da companhia subiu 5,5% no período, contribuindo para o desempenho operacional.
Em termos de geração operacional, a Vale reportou um Ebitda ajustado de US$ 3,83 bilhões, alta de 23% na comparação anual. A receita líquida de vendas cresceu 14%, totalizando US$ 9,26 bilhões, impulsionada também por maiores volumes de níquel e cobre.
O CEO Gustavo Pimenta destacou que a empresa teve um começo de ano sólido, atribuindo o resultado à execução disciplinada, à eficiência operacional e ao avanço de projetos estratégicos do portfólio. A operação S11D, no Pará, foi citada como um dos destaques, com a maior produção de minério de ferro para um primeiro trimestre.
No front de custos, o custo caixa C1 do minério de ferro aumentou 12% em relação ao ano anterior, para US$ 23,6 por tonelada, efeito em grande parte da valorização do real frente ao dólar. Já os custos all-in ficaram em US$ 55,4 por tonelada, alta de 8% ano a ano.
Entre os fluxos de caixa, a companhia registrou fluxo de caixa livre recorrente de US$ 813 milhões, um acréscimo de US$ 309 milhões na comparação anual. A dívida líquida expandida encerrou o trimestre em US$ 17,8 bilhões, crescimento de US$ 2,2 bilhões frente ao trimestre anterior, influenciada principalmente pelo pagamento de US$ 2,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, parcialmente compensado pela geração de caixa livre.
Os investimentos totalizaram US$ 1,09 bilhão no trimestre, queda de 7% na comparação anual, porém alinhados à projeção anual da empresa de US$ 5,4 bilhões a US$ 5,7 bilhões para 2026. Os aportes em projetos de crescimento somaram US$ 182 milhões, recuo de 42%, reflexo da redução de desembolsos em soluções de minério de ferro e do avanço do projeto Capanema e do Serra Sul +20.
A Vale informou que o projeto Serra Sul +20 está com 86% da execução física concluída. Os testes de carga do transportador de correia começaram em março, e o britador de compactos está 91% concluído, com as obras civis finalizadas. Por outro lado, os investimentos de manutenção aumentaram 5% ano a ano, atingindo US$ 907 milhões, destinados, entre outros, ao projeto de cobre Bacaba e a iniciativas nas operações de pelotização e na malha ferroviária.
Fonte: G1


