25.6 C
Uberlândia
terça-feira, setembro 29, 2026

Brasil destina US$ 5 mil por ano a cada aluno dos anos iniciais; média da OCDE é US$ 13,4 mil

Resumo dos dados

O relatório “Education at a Glance 2026”, com dados de 2023 e divulgado em 29 de setembro de 2026, aponta que o Brasil gastou, em média, US$ 5 mil por aluno por ano na educação pública dos 1º aos 5º anos do ensino fundamental — cerca de R$ 26 mil. Esse montante representa menos de 40% da média dos países da OCDE, que é de US$ 13,4 mil por estudante nessa etapa.

Posicionamento no ranking e comparações

Na comparação entre 44 países para os anos iniciais do fundamental, o Brasil aparece no 38º lugar. Apenas seis países investiram menos por aluno: Turquia (US$ 4.350), Colômbia (US$ 4.279), China (US$ 4.112), Romênia (US$ 3.709), África do Sul (US$ 3.141) e México (US$ 2.703). No topo do ranking, Luxemburgo lidera com US$ 32.289 por estudante, seguido por Suíça (US$ 21.890), Islândia (US$ 21.220) e Noruega (US$ 19.424).

Outras etapas da educação básica

O estudo também traz valores médios por aluno em outras faixas etárias. Do 6º ao 9º ano, o gasto por estudante no Brasil foi de US$ 5.191, frente à média do G20 de US$ 10.890 e à média da OCDE de US$ 14.830. No ensino médio, o gasto brasileiro por aluno foi de US$ 5.711, ante US$ 12.160 na média do G20 e US$ 14.099 na média da OCDE.

Participação do PIB e interpretação dos indicadores

O relatório também examina a participação do Produto Interno Bruto (PIB) dedicada à educação. Para os anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), o Brasil destinou 1,23% do PIB, percentual superior à média da OCDE (0,74%) e à média do G20 (0,73%). Em termos de comparação, a porcentagem brasileira supera a de países como Finlândia (1,15%), Estados Unidos (0,82%) e Luxemburgo (0,75%).

Especialistas consultados no estudo ponderam que a participação do PIB mede o esforço relativo do país com educação, mas não equivale ao montante disponível por estudante. Ernesto Martins Faria, diretor-fundador do Iede, ressalta que o indicador do PIB sinaliza esforço, mas não basta para afirmar que o investimento por aluno é elevado. Nelson Amaral, da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), aponta que é o gasto por estudante que revela as condições efetivas oferecidas às escolas, já que é esse recurso que se traduz em salários, carreiras e infraestrutura.

Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, afirmou que ficar abaixo da média da OCDE implica menos recursos por aluno para enfrentar desafios que, muitas vezes, são maiores no Brasil. O relatório destaca ainda que, por haver proporcionalmente mais estudantes da educação básica na população brasileira do que na maioria dos países da OCDE, o orçamento disponível precisa ser dividido entre um número maior de alunos, reduzindo o valor por estudante.

Os dados do estudo indicam, portanto, que a combinação entre o percentual do PIB destinado à educação e o gasto por aluno oferece visões complementares: o primeiro mostra o esforço relativo do país; o segundo aponta as condições concretas de financiamento por estudante. Especialistas alertam que, além de recursos, é necessária gestão eficiente para direcionar investimentos às necessidades mais urgentes das escolas.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também