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quarta-feira, setembro 30, 2026

Por que líderes cristãos afirmam que a IA pode ter papel no fim dos tempos

Pastores e influenciadores religiosos nos Estados Unidos têm levantado a hipótese de que a inteligência artificial (IA) poderia ser usada no contexto das profecias do fim dos tempos. Entre os nomes citados está o pastor de Atlanta Philip Anthony Mitchell, que declarou: “A IA terá papel central nos tempos finais.” Outros líderes, como o megapastor Greg Laurie e o pastor Mike Signorelli, também têm feito questionamentos semelhantes em plataformas que vão do TikTok a podcasts e editoriais.

Greg Laurie perguntou publicamente: “A IA pode fazer parte de um cenário de fim dos tempos?” e avaliou que “é muito possível.” Mike Signorelli afirmou que a IA “é parte integrante de como você chega ao Anticristo”. Embora reconheçam usos benéficos da tecnologia, esses líderes alertam para a possibilidade de que o Anticristo — figura descrita no cristianismo como representante de Satanás que dominará antes de ser derrotado por Jesus — utilize a IA para atrair a adoração das pessoas.

Origem da preocupação e contexto bíblico

As interpretações que ligam a IA ao Anticristo baseiam-se em leituras do livro do Apocalipse, que descreve figuras simbólicas como “a besta que emerge do mar”, associada por alguns ao Anticristo. Enquanto muitos cristãos encaram o Apocalipse de forma metafórica, outros o interpretam como profecia e identificam, no texto, possibilidades de um “falso profeta” ou de uma “segunda besta” que enganaria a humanidade — posição que leva alguns a verem a IA como candidato a esse papel.

Medo tecnológico e reação social

O debate sobre a IA como possível elemento dos “tempos finais” acontece em meio a alertas públicos sobre os riscos da tecnologia. O ex-pesquisador da Anthropic Jacob Coxon afirmou que “todos nós poderemos morrer em futuro muito próximo” e líderes do setor têm pedido maior cautela no ritmo de desenvolvimento. No Vale do Silício, são citadas probabilidades como “10%, 15%” de que a IA possa aniquilar a humanidade, segundo menções feitas em fóruns e entrevistas.

A professora Noreen Herzfeld, da Escola de Teologia e Seminário de São João, especializada em IA e ética, observa que a discussão sobre o fim dos tempos costuma florescer em períodos de rápidas mudanças. Herzfeld compara o impacto da IA à Revolução Industrial e afirma que a percepção de perda de autonomia e a incerteza sobre empregos e futuro contribuem para a busca de explicações religiosas e narrativas consoladoras.

Pesquisa e memória histórica

Uma pesquisa do Pew Research Center de 2022 mostrou que cerca de 40% dos adultos americanos acreditam estar vivendo no fim dos tempos; entre cristãos, esse percentual sobe para 47%. Especialistas em religião lembram que interpretações apocalípticas tendem a refletir ansiedades de cada época. O professor Jeffrey C. Pugh, da Universidade de Elon, cita exemplos históricos — da Grande Depressão com suspeitas sobre Franklin D. Roosevelt até as tensões dos anos 1960 — para mostrar como crises sociais e políticas alimentam leituras apocalípticas.

Na década de 1970, obras como A Agonia do Grande Planeta Terra, de Hal Lindsey, incentivaram a associação entre acontecimentos contemporâneos e profecias bíblicas. Durante a Guerra Fria, comunismo e União Soviética foram vistos por alguns como encarnações do Anticristo; após os ataques de 11 de setembro de 2001, parcelas da população passaram a apontar o Islã nessa direção.

Posições teológicas sobre tecnologia

O pastor australiano Stephen Driscoll, autor de Made in Our Image: God, Artificial Intelligence and You, considera a IA “uma das tecnologias mais assustadoras que já criamos” e um “candidato plausível” para assumir papel profético. Ao mesmo tempo, Driscoll adverte contra usar a Bíblia apenas para especular sobre identidades futuras e destaca que as Escrituras oferecem orientações práticas para viver em tempos de mudança.

Driscoll ressalta que o Velho Testamento registra inovações tecnológicas e afirma: “Deus é um Deus de sabedoria tecnológica” com domínio sobre diferentes eras tecnológicas, da idade da pedra ao desenvolvimento nuclear e à IA. Ele cita a figura bíblica de Daniel como exemplo de alguém que, mesmo sem poder controlar as nações e impérios, podia manter fé, viver bem e obedecer a Deus. Sobre a esperança final, afirma: “Nem tudo o que acontece é bom… Deus é bom — e Ele está no controle.”

O debate continua em redes sociais, igrejas e meios de comunicação, envolvendo preocupações teológicas, éticas e práticas sobre o papel crescente da IA na vida cotidiana e nas estruturas de poder.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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