Reação imediata dos mercados
Logo na abertura do pregão de segunda-feira (5), o principal índice da bolsa brasileira apresentou forte alta: o Ibovespa avançou mais de 7% e, pela primeira vez, superou a marca de 200 mil pontos. Ao mesmo tempo, a curva de juros futuros registrou queda significativa e o dólar comercial recuou para patamar inferior a R$ 5.
O movimento foi atribuído ao resultado do 1º turno, que indicou favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL) e a formação de um Congresso com maioria considerada favorável a ele. Investidores e gestores passaram a ver maior probabilidade de aprovação de pautas econômicas liberais, o que explica a euforia inicial.
Dúvidas sobre prioridades e propostas
Apesar do otimismo, agentes do mercado expressaram incertezas sobre a efetiva prioridade que uma eventual administração de Flávio Bolsonaro dará à agenda econômica. A cautela decorre também das lacunas e das indefinições nas propostas tanto do candidato com vantagem quanto do adversário, Luiz Inácio Lula da Silva.
No episódio do podcast O Assunto, a jornalista Natuza Nery entrevistou o economista Bruno Carazza, professor associado da Fundação Dom Cabral e comentarista de economia do Jornal da Globo, da rádio CBN e do jornal Valor Econômico. Carazza analisou os desafios que qualquer dos dois candidatos terá na condução da economia e apontou as incertezas presentes nas propostas.
Outros sinais e interpretações
Relatos do mercado indicaram que fundos internacionais que seguem a bolsa brasileira registraram forte entrada após a liderança de Flávio. Houve também variação intradia: em períodos seguintes, o Ibovespa recuou em momentos de ajuste, enquanto o dólar seguiu sensível ao cenário político e à balança comercial.
No Senado, em votação no plenário que terminou com placar de 6 a 1, Flávio Bolsonaro classificou como “oportunista” uma proposta do governo Lula e defendeu a flexibilização da jornada de trabalho. Comentários de analistas, como Fábio Graner, indicaram que ambos os candidatos chegam ao 2º turno sob pressão por ajuste nas contas públicas, embora a disputa entre eles possa não se concentrar exclusivamente no campo fiscal.
Empresários, por sua vez, disseram enxergar tanto expectativa de ajuste fiscal quanto incerteza em relação ao cenário futuro. Observadores destacaram que a disparada dos ativos evidenciou uma fratura na relação entre o mercado e o governo Lula.
Contexto do podcast e dado da B3
O Assunto é o podcast diário do g1, apresentado por Natuza Nery e produzido por Luiz Felipe Silva, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento, Marco Antônio Martins e Thomé Granemann. Desde a estreia, em agosto de 2019, o programa acumula mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio.
Em imagem da sede da B3, em São Paulo, registrada na sexta-feira (12), o Ibovespa flertou com os 129 mil pontos na máxima do dia e encerrou aos 128.896,98 pontos, alta de 0,47% na sessão — informação que reflete desempenho em dia distinto do salto registrado na abertura do pregão de 5 de outubro. Naquela sessão citada, o índice marcava o quarto avanço semanal consecutivo, com variação mensal positiva de 4,03% e perda de 3,94% no acumulado do ano. Foto: GABRIEL SILVA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO.
Fonte: G1 – O Assunto


