O governo da Noruega comunicou, em 7 de outubro de 2026, a intenção de apresentar ao Parlamento uma proposta para impedir temporariamente o uso de óculos inteligentes em determinados espaços públicos. O objetivo declarado é reduzir o risco de que indivíduos sejam fotografados, filmados ou tenham suas conversas registradas sem conhecimento ou autorização.
Segundo a proposta preliminar, a proibição poderia valer para áreas com grande circulação de pessoas, como parques, praias, museus, shopping centers e eventos públicos. O governo também considera estender a restrição a escolas, playgrounds e clubes voltados para jovens, além de locais tidos como mais sensíveis à privacidade, por exemplo consultórios médicos, piscinas e academias que tenham vestiários.
O ministro da Digitalização e Governança Pública, Torgeir Micaelsen, afirmou preocupação com a chegada de uma tecnologia nova e potente em ambientes onde há risco de registros sem consentimento. O Executivo ressaltou, porém, que não busca banir completamente os óculos inteligentes: usos privados e situações em que terceiros não correm risco de serem filmados continuariam permitidos.
Ainda não está definido com precisão quais dispositivos seriam abrangidos. O governo informou que analisará se a medida deve incidir sobre óculos com câmera e gravação de áudio, sobre modelos que integrem câmera com recursos de inteligência artificial, ou sobre outros dispositivos corporais que disponham de câmera, gravação de som e/ou funções de IA.
O governo minoritário pretende encaminhar o projeto de lei ao Parlamento o mais rápido possível e anunciou a criação de um grupo de especialistas para orientar a formulação de uma regulamentação permanente sobre tecnologias vestíveis com potencial impacto na privacidade.
Autoridades, tribunais e empresas em vários países vêm discutindo limitações ao uso de óculos inteligentes diante de preocupações semelhantes. Modelos comerciais, como os lançados pela Meta, incluem indicadores luminosos que sinalizam quando a câmera está ativa.
Óculos inteligentes já são proibidos, por exemplo, dentro de cabines de votação, segundo a informação divulgada pelo governo.
Com informações da agência Reuters.
Fonte: G1


