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domingo, outubro 11, 2026

FMI alerta que disparadas de preços de alimentos e energia podem se tornar mais frequentes e manter inflação elevada por anos

O Fundo Monetário Internacional (FMI) publicou nesta semana um estudo apontando que disparadas nos preços de itens essenciais, como alimentos e energia, devem se tornar mais recorrentes e têm potencial para sustentar expectativas de inflação em níveis elevados por um período prolongado. Segundo a instituição, essas crises podem agravar a pobreza e ameaçar a estabilidade macroeconômica.

A análise avaliou medidas adotadas por governos ao longo das últimas três décadas para mitigar choques de preços e trouxe um novo modelo econômico que atribui peso maior ao efeito da inflação sobre famílias de renda baixa, que destinam parcela maior do orçamento a bens essenciais. O modelo mostrou uma diferença de 0,8 ponto percentual em relação ao indicador tradicional de inflação, e sugeriu que, entre 2021 e 2024, havia 23 milhões de pessoas a mais abaixo da linha de extrema pobreza do que estimativas anteriores indicavam.

Historicamente, altas abruptas de preços com abrangência internacional eram relativamente raras. Entretanto, nos últimos cinco anos esses episódios passaram a ocorrer com maior frequência, impulsionados por eventos como a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, e o conflito no Oriente Médio no ano corrente.

O estudo integra o segundo capítulo do relatório Perspectiva Econômica Mundial, cujo lançamento está previsto para a próxima semana. Em nota relacionada, o FMI informou no mês passado que a economia global resistiu melhor do que o esperado ao aumento dos preços da energia decorrente da guerra no Oriente Médio. A instituição mantém projeção de crescimento de cerca de 3% para a economia mundial em 2026, percentagem em linha com a estimativa de julho, embora abaixo da média de 3,5% verificada em 2024 e 2025.

Na avaliação do FMI, a continuidade do conflito — inicialmente prevista para terminar em meados de julho —, com intensificação de ataques entre Irã e Estados Unidos e expansão da violência a países vizinhos, contribui para a elevação dos riscos globais.

O relatório também mostra que expectativas de inflação de curto e médio prazo aumentam significativamente durante crises de custo de vida e tendem a permanecer acima dos níveis anteriores mesmo três anos depois. As expectativas para cinco anos subiram menos no início das crises, mas permanecem elevadas após três anos. Esse comportamento pode pressionar bancos centrais a elevar taxas de juros.

Quanto às políticas públicas, o FMI considera que a proteção mais eficiente às famílias vulneráveis é a realização de transferências de renda focalizadas, sem intervenção direta nos preços. Medidas como controle de preços e corte de impostos sobre o consumo podem custar aos governos de três a seis vezes mais, enquanto subsídios a produtores podem ser até 22 vezes mais onerosos. O fundo alerta que ações amplas perdem eficácia se muitos países adotarem subsídios simultaneamente.

“Em resumo, as crises do custo de vida … afetam a estabilidade de preços, reduzem os padrões de vida e agravam a desigualdade”, afirmou Chiara Maggi, economista do FMI que participou da coordenação do estudo.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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