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segunda-feira, outubro 12, 2026

Sessenta países condenam cobrança de pedágio em estreitos usados por navegação internacional

Declaração conjunta contra cobrança de taxas em rotas marítimas

Sessenta países divulgaram, nesta segunda-feira (12), uma declaração conjunta na qual se comprometem a atuar para garantir a liberdade de navegação e a se opor à introdução de cobranças ou restrições que afetem o trânsito em estreitos usados para navegação internacional. A lista de signatários inclui Estados-membros da União Europeia, além de países como Austrália, Japão e Reino Unido.

No documento, os participantes afirmam apoio a ações multilaterais de caráter defensivo e não escalatório destinadas a manter a livre circulação marítima. O texto rejeita medidas que possam impor tarifas ilegais, pedágios, exigências de autorização prévia ou quaisquer condicionantes discriminatórias que dificultem ou prejudiquem a navegação legal nessas passagens.

Contexto: tensão no Estreito de Ormuz e especulação sobre tarifas

O pronunciamento ocorre em um cenário de aumento das tensões no Estreito de Ormuz. Desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, surgiram especulações sobre a possibilidade de cobrança de tarifas para passagem pela rota. A primeira notícia relacionada a um possível pedágio foi divulgada em abril, cerca de um mês após o início das hostilidades.

Em julho, ao anunciar um bloqueio militar a portos iranianos, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a declarar que Washington cobraria 20% sobre a carga de embarcações que transitassem pela região, mas a medida foi revogada um dia depois. No mesmo mês, Irã e Omã discutiram a gestão compartilhada da rota — por onde, segundo dados citados na época, passa cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo —, porém as negociações não avançaram para a implementação de um acordo.

Incidentes recentes e impacto no tráfego

Apesar de declarações sobre o retorno do fluxo de petróleo, a área segue registrando incidentes que afetam o tráfego marítimo. Neste sábado (10), a Guarda Revolucionária do Irã informou que um petroleiro explodiu e incendiou após atingir uma mina naval enquanto cruzava o Estreito de Ormuz; as autoridades não divulgaram o nome do navio, sua bandeira, origem, possíveis vítimas ou extensão dos danos.

Relatórios de agências de segurança marítima indicaram um aumento nos ataques a embarcações que transportam petróleo e gás. Um levantamento publicado em 7 de outubro pela Reuters apontou que, entre 28 de setembro e 5 de outubro, foram contabilizados ao menos 12 incidentes — incluindo ataques, tentativas de ataque e ações de intimidação — nessa região, o maior número semanal desde o início do conflito. Dados da Organização Marítima Internacional (OMI) registraram nove ocorrências no mesmo intervalo.

A declaração conjunta desta segunda-feira surge, portanto, em meio a essas ocorrências e à disputa sobre o controle e a gestão de uma das rotas marítimas mais sensíveis para o comércio de petróleo mundial.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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