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segunda-feira, outubro 19, 2026

UNE ressalta grande mobilização estudantil em defesa da democracia e da educação antes do segundo turno

Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), afirmou que milhares de estudantes voltaram às ruas em várias cidades do país nas vésperas do segundo turno das eleições presidenciais para defender a democracia e a educação pública. Em entrevista, ela disse que as mobilizações também expressam posicionamentos sobre candidaturas e propostas eleitorais.

De acordo com a dirigente, o movimento estudantil retoma um papel histórico de protagonismo político, que inclui episódios como a resistência à ditadura militar, a campanha pelas Diretas, o impeachment de Fernando Collor e as manifestações contra os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro. “Neste momento, nós vemos não só uma eleição em jogo, mas verdadeiramente o futuro do nosso país em risco”, afirmou Bianca.

Borges alertou para o que considera o risco de uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro, que, segundo ela, poderia representar a ascensão de um governo autoritário, com retrocessos e retirada de direitos, além de medidas contrárias à educação pública. A presidente da UNE citou preocupações concretas das universidades: subfinanciamento de longa data, necessidade de ampliação da assistência estudantil e dificuldades para garantir a permanência de estudantes de baixa renda.

Segundo Bianca, as mobilizações começaram nas universidades logo após a divulgação do resultado do primeiro turno. O primeiro ato ocorreu na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, inicialmente pensado como assembleia de apoio à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contou com mais de mil pessoas, sendo transferido para a rua em razão do público.

A maior parte dos participantes, disse a dirigente, é formada por universitários organizados em centros acadêmicos e diretórios centrais de estudantes, com a adesão também de secundaristas. No Rio, o protesto entre a Candelária e a Cinelândia, convocado inicialmente por estudantes do Colégio Pedro II, reuniu grêmios e outras organizações estudantis; a UNE relacionou esse ato de 7 de outubro à memória da Passeata dos 100 mil, de 1968, citando Edson Luís como símbolo da luta contra o autoritarismo.

Em Brasília, uma manifestação realizada em 13 de outubro concentrou principalmente estudantes, com participação de setores da sociedade e da classe trabalhadora. Entre as pautas defendidas pela UNE estão a preservação do caráter público das universidades e a crítica ao projeto Future-se, lançado em 2019, que, segundo a entidade, ameaçava o modelo público de ensino, pesquisa e extensão.

Bianca também apontou ações tomadas no governo Jair Bolsonaro que, na avaliação da UNE, prejudicaram as instituições, como declarações contra centros acadêmicos e a nomeação de mais de 18 reitores interventores que não haviam ficado em primeiro lugar nas consultas comunitárias. A presidente alertou para o risco de cortes em direitos sociais e na educação, com impacto em bolsas e na manutenção de laboratórios.

A dirigente criticou ainda a proposta atribuída a Flávio Bolsonaro de transferir a gestão das universidades federais do Ministério da Educação (MEC) para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), argumentando que isso aproximaria as instituições de interesses mercantis, em vez de vinculá-las a um projeto nacional de desenvolvimento.

Ao explicar o uso do termo “fascismo” em referência ao bolsonarismo, Bianca citou autoritarismo, deslegitimação de organizações populares, enfraquecimento da participação social, criminalização do movimento estudantil e incentivo à violência política. Ela afirmou que universidades receberam ameaças de incêndio pelas redes sociais; dois incêndios na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estão sob apuração, sem confirmação de motivação criminosa.

A UNE recordou que sua sede, na Praia do Flamengo, foi incendiada em 1º de abril de 1964, data do golpe que instalou a ditadura militar no Brasil. A entidade declarou apoio à candidatura de Lula com o objetivo, segundo Bianca, de impedir o retorno do bolsonarismo ao poder e preservar a democracia e a soberania nacional.

No âmbito jurídico-eleitoral, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Ricardo Villas Bôas Cueva negou pedido da campanha de Flávio Bolsonaro para bloquear publicações nas redes sociais de 54 dirigentes de sindicatos, movimentos sociais e entidades estudantis, entre elas a UNE.

Bianca Borges tem 25 anos, nasceu em Itapevi e foi criada em Praia Grande (SP). Conforme informado, ela é estudante de Letras no Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e assumiu a presidência da UNE para o mandato de 2025 a 2027. O histórico dela inclui atuação no movimento estudantil desde os 14 anos, participação em grêmios e representação estudantil; também consta que é formada em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), onde teve atuação em diretórios e na União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), além de integrar a Organização Latino-Americana e Caribenha de Estudantes (Oclae).

As mobilizações relatadas pela UNE ocorreram em diversas capitais e cidades brasileiras nas semanas que antecederam o segundo turno, reunindo tanto estudantes universitários quanto secundaristas e outras categorias da sociedade civil.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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