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terça-feira, outubro 20, 2026

Número de graduações em inteligência artificial cresce no Brasil; veja o que se estuda e as carreiras possíveis

Quem: Estudantes, universidades públicas e privadas e especialistas do setor educacional e tecnológico.

O que: Crescimento do número de graduações em inteligência artificial (IA) no país, perfil curricular dessas formações, comparação com cursos de curta duração e tecnólogo, e panorama do mercado de trabalho.

Quando e onde: Dados e ocorrências atualizados em 2026; a Universidade Federal de Goiás (UFG) foi pioneira entre as públicas ao oferecer bacharelado em IA a partir de 2019 e formou, em 2023, a primeira mulher em uma instituição pública no país na área, Heloisy Rodrigues.

O mapeamento divulgado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação indica que já existem 76 cursos de bacharelado em inteligência artificial no Brasil. Desses, 44% estão em instituições públicas e 85,5% funcionam na modalidade presencial. A procura tem aumentado e, em 2026, a graduação de IA da UFG registrou a maior nota de corte no Sisu, alcançando 846,72 pontos na ampla concorrência, superando mesmo o curso de medicina.

Especialistas citados na reportagem apontam distinção entre “alfabetização em IA” — aprender a utilizar ferramentas como assistentes generativos — e a formação de bacharelado, cujo foco é ensinar a projetar e desenvolver as próprias tecnologias. O cientista Silvio Meira destaca que a base do curso tende a ser matemática e teoria da computação, incluindo lógica, álgebra linear, estatística computacional, teoria da computação e algoritmos, conteúdos considerados mais duradouros do que treinamentos centrados em ferramentas transitórias.

O que se estuda

As disciplinas típicas do bacharelado são organizadas em vários eixos. Na base matemática e lógica estão cálculo, álgebra linear, geometria analítica, estatística computacional e probabilidade. Nos fundamentos de computação e dados aparecem programação, estruturas de dados, modelagem de bancos e engenharia de dados, além de tópicos como desenvolvimento web, segurança cibernética e sistemas operacionais.

No eixo específico de IA, os alunos trabalham com machine learning, deep learning, redes neurais, processamento de linguagem natural, visão computacional, engenharia de prompt, aplicações de IA generativa, robótica inteligente e sistemas autônomos. Outra parte importante do currículo envolve ética, humanidades e soft skills, com disciplinas sobre legislação e responsabilidade social, estudos socioeconômicos, psicologia e gestão de equipes. Também constam atividades práticas voltadas à inovação, empreendedorismo, gestão de negócios e inteligência de mercado.

Diferenças entre cursos

O bacharelado em IA é descrito como um aprofundamento da ciência da computação, voltado especificamente para algoritmos de processamento de dados e informação. Professores como Leonardo Tomazeli, da Unicamp, explicam que o novo curso oferece tempo e espaço para abordar tanto aspectos técnicos quanto o uso ético e responsável da tecnologia. Cursos de curta duração focam em aplicação imediata de ferramentas e resolução de problemas pontuais, enquanto o bacharelado — com duração média de quatro a cinco anos — busca formar profissionais com base teórica e capacidade de lidar com problemas complexos.

Os cursos superiores de tecnólogo, com duração entre dois e três anos, têm perfil mais prático e ferramental, voltados à inserção rápida no mercado. Ambos conferem diploma de nível superior, mas o bacharelado é apontado por especialistas como mais adequado para quem pretende construir carreira duradoura e atuar na criação de novas tecnologias.

Mercado de trabalho e perfil do estudante

O mercado é descrito como aquecido e com demanda ampla, já que a IA impacta setores como saúde, cidades inteligentes, serviços públicos e corporações. A reportagem registra estimativas de mercado salarial, citando pesquisa do LinkedIn de 2026 que aponta salários de até R$ 32 mil para profissionais da área. Formadas e formados em IA também podem trabalhar remotamente para empresas estrangeiras e receber em dólar, conforme relato de Heloisy Rodrigues.

Quanto ao perfil, as graduações esperam estudantes com afinidade por matemática — cálculo, álgebra linear e matrizes — e por tecnologia, mas também com habilidades interpessoais e capacidade de atuar de forma interdisciplinar, considerando impactos éticos, sociais e econômicos das soluções desenvolvidas.

Mensalidades e exemplos de instituições

A reportagem traz exemplos de valores cobrados por faculdades privadas: IBMEC-SP cerca de R$ 5.700, Instituto Mauá de Tecnologia R$ 3.950 e PUC-SP R$ 2.800 (valores por unidade e sujeitos a variação). Entre as públicas que oferecem o curso estão Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade Federal de Itajubá (Unifei) no campus Itabira, Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) nos campi Ouro Preto e João Monlevade, Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal de Lavras (UFLA), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal de Sergipe (UFS), além da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

As universidades têm incorporado abordagens interdisciplinares, convidando especialistas de ciências sociais e outras áreas para dar suporte aos debates sobre ética e responsabilidade no desenvolvimento de IA.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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