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domingo, maio 31, 2026

Cemitério da Recoleta: história, visitas e curiosidades do principal espaço funerário de Buenos Aires

O Cemitério da Recoleta, situado no bairro homônimo de Buenos Aires, abriga mais de 4 mil abóbadas e mausoléus em mármore, pedra e granito e é um ponto de interesse tanto pela arquitetura quanto pela importância histórica. Declarado Patrimônio Histórico Nacional em 1946, o espaço reúne obras em estilos que vão do gótico ao art déco e concentra sepulturas de personalidades relevantes da Argentina.

Projetado pelo arquiteto e engenheiro francês Prosper Catelin e inaugurado em 1822, o cemitério teve como referência o Père-Lachaise, em Paris. O crescimento de túmulos suntuosos acompanha a formação do bairro: no final do século 19, após a epidemia de febre amarela, muitas famílias abastadas mudaram-se para a zona norte da cidade, onde está a Recoleta, consolidando o local como destino de enterros de figuras centrais da sociedade argentina.

Como visitar

O cemitério fica na rua Junín, nº 1760, e funciona diariamente das 9h às 17h. A entrada, que antes era gratuita, passou a ser paga; é necessário adquirir ingresso individual, preferencialmente com antecedência pelo site oficial. Há também opção de visita guiada para quem deseja contextualização sobre os personagens e os mistérios do local.

Nos arredores estão pontos visitados com frequência por turistas, como a Avenida Alvear, conhecida por sua atmosfera luxuosa, e o Museu Nacional de Belas Artes. Em frente ao cemitério, a Plaza Intendente Alvear oferece área ao ar livre para descanso durante o passeio. Em dias de sol forte, recomenda-se visitar pela manhã ou ao final da tarde, pois o brilho do mármore pode atrapalhar a observação das esculturas e a qualidade das fotos.

Mistérios e curiosidades

Entre os túmulos mais procurados está o de Eva Duarte de Perón (Evita). Com aparência sóbria e discreta, o mausoléu da família Duarte recebe diariamente flores colocadas sobre placas de bronze com o nome da ex-primeira-dama. Também estão sepultados ali os escritores Silvina Ocampo e Adolfo Bioy Casares, o ex-presidente Domingo Faustino Sarmiento — que projetou seu próprio mausoléu — e os laureados com o Nobel Carlos Saavedra Lamas (Nobel da Paz, 1936) e Luis Federico Leloir (Nobel de Química, 1970).

O local abriga histórias que se tornaram lendas. O zelador David Alleno, que trabalhou no cemitério por quase toda a vida, encomendou seu próprio monumento: uma estátua que o retrata com uniforme de trabalho, vassoura e regador. Outra narrativa é a de Liliana Crociati, que morreu aos 26 anos durante a lua de mel na Áustria; no mesmo dia, seu cachorro faleceu em Buenos Aires. Em homenagem, a família colocou uma escultura de bronze mostrando-a com vestido de noiva ao lado do animal; o focinho do cão está desgastado pelo toque de visitantes que buscam sorte e felicidade.

O Cemitério da Recoleta continua sendo um destino que combina memória histórica, arquitetura funerária e histórias populares, atraindo visitantes interessados na trajetória social e cultural de Buenos Aires.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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