O procedimento ocorre após ordem do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a apreensão do passaporte de Flávio no âmbito de inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o parlamentar e o advogado Willer Tomaz. A determinação, expedida na noite de domingo (25) após o segundo turno das eleições, também proibiu o senador de deixar o território brasileiro.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina, no entanto, declarou não haver registro de entrada de Flávio no país. O órgão apontou que passou a fiscalizar a aeronave e a tripulação devido ao “frenesi midiático” gerado em torno do avião, e afirmou não ter recebido plano de voo com integrantes da família Bolsonaro. A Casa Rosada também afirmou não ter registro da entrada do senador, e policiais federais em Foz do Iguaçu disseram não ter localizado passagem dele pela fronteira.
A PF informou que o prazo para entrega dos passaportes terminou às 11h desta terça-feira sem que os documentos fossem apresentados, motivo pelo qual os passaportes brasileiros foram cancelados e a corregedoria oficiou o ministro Alexandre de Moraes sobre o descumprimento. O senador possui também cidadania italiana; o passaporte europeu não foi invalidado pelas autoridades brasileiras, que, segundo a PF, não têm competência para anulá-lo.
O que Flávio disse antes da saída
Na segunda-feira (26), Flávio publicou vídeo nas redes sociais no qual afirmou ter sido abordado por agentes da Polícia Federal ao deixar a casa do pai, em Brasília, para comunicar a decisão sobre o passaporte. Na gravação, classificou a medida como tentativa de intimidação, disse não ter pensado em deixar o país e declarou que entregaria os documentos e se defenderia. Também afirmou que atuaria na organização da oposição ao novo governo.
Investigado no inquérito sobre suposta lavagem de dinheiro em ligação com empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz e ao setor de apostas, Flávio e Tomaz reconhecem a amizade, mas negam participação societária e irregularidades. O senador também é alvo de apuração por possível participação no financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, atribuição que ele igualmente nega, conforme reportou o Infobae.
Aliados do senador e apoiadores de Michelle Bolsonaro confirmaram a saída do país, enquanto o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho, se recusou a comentar o episódio quando procurado pela correspondente do Grupo Paranaíba em Brasília. Relatos da imprensa citam que Eduardo Bolsonaro chegou a defender publicamente que Flávio deixasse o país caso viesse a perder a eleição.
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