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quinta-feira, novembro 5, 2026

Presidente do Paraguai, Santiago Peña, anuncia renúncia após crise do banco Ueno

Renúncia em meio a processo de impeachment e crise financeira

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, comunicou nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, sua renúncia ao cargo. A saída ocorre no contexto de um processo de impeachment impulsionado pela crise gerada pelo fechamento do banco digital Ueno, instituição da qual Peña foi acionista até março do ano passado.

Em vídeo divulgado à população, Peña expressou arrependimento pelos efeitos da crise sobre os cidadãos e afirmou que deixou a Presidência para preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. Ele pediu desculpas ao povo e afirmou que sua decisão teve como prioridade o bem-estar nacional.

A sessão extraordinária do Congresso que começou na manhã desta quinta-feira tinha como objetivo dar início ao processo de impeachment. Todas as bancadas da Câmara dos Deputados haviam anunciado voto a favor da abertura do processo. Na véspera, aliados do presidente passaram a retirar apoio e a exigir sua renúncia, enquanto líderes do Partido Colorado, incluindo o atual presidente da sigla, Horário Cortes, e o presidente do Congresso, Basilio Nuñez, também se afastaram do governo.

Acusações e alegações

O pedido de impeachment, apresentado por 35 deputados, envolve acusações de conflito de interesses, manipulação de normas e desvio de recursos previdenciários, além de alegações de que o Banco Central teria encoberto irregularidades relacionadas ao caso. Deputados de oposição responsabilizaram Peña pela dimensão da crise provocada pelo fechamento do banco virtual.

Caso Ueno: impactos e medidas

O Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, atendia cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social. A instituição encerrou operações na terça-feira, 3 de novembro de 2026, após o Banco Central iniciar sua liquidação, ao identificar insuficiência de recursos vinculado a empréstimos a empresas relacionadas ao banco.

Executivos do Ueno se entregaram às autoridades após a emissão de mandados de prisão pela Procuradoria, que denunciou formalmente 27 pessoas ligadas ao grupo e obteve bloqueio de bens dos acusados. Relatos de instabilidade em aplicativos de outras instituições financeiras circularam, aumentando a apreensão sobre o sistema bancário.

A Associação de Bancos do Paraguai (Asoban) informou que as instituições vinham atendendo o volume elevado de transferências de clientes do Ueno e que o sistema financeiro seguia “operando normalmente”. Pena, economista e ex-ministro da Fazenda no governo de Cartes, afirmou que os responsáveis por irregularidades serão levados à Justiça e promulgou uma lei para agilizar a restituição de fundos aos clientes do Ueno.

Com a renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana assume a Presidência, mas ele também figura entre os alvos do processo de impeachment em curso.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
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Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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