O câncer do colo do útero pode evoluir sem provocar sintomas nas fases iniciais, o que torna essenciais os exames preventivos regulares. A ginecologista Dra. Gisele Vissoci, do Mater Dei Santa Clara, afirma que o rastreamento permite identificar alterações antes que se transformem em lesões malignas, aumentando as chances de tratamento eficaz e menos invasivo.
Risco de adiar consultas
Muitas mulheres postergam a consulta ginecológica por constrangimento, dificuldades de acesso ou pela falsa sensação de segurança decorrente da ausência de sintomas. Segundo a especialista, aguardar sinais da doença pode prejudicar a detecção de alterações em estágios iniciais, quando as intervenções costumam ser mais simples e há maior possibilidade de cura.
Resultado alterado não é sinônimo de câncer
Receber um exame preventivo alterado costuma causar apreensão, mas alterações celulares ou a detecção do papilomavírus humano (HPV) não significam necessariamente que a paciente tenha câncer. A conduta depende do tipo de resultado, da idade e do histórico clínico da mulher. Em muitos casos, há acompanhamento ou exames complementares antes de qualquer diagnóstico definitivo.
Procedimentos como a colposcopia permitem a visualização ampliada do colo do útero e a aplicação de soluções que sinalizam áreas suspeitas. Se indicado, realiza-se biópsia para análise histológica. Quando confirmada uma lesão precursora, o tratamento pode ser localizado, preservando muitas vezes o útero e a fertilidade.
Testes de HPV e mudança no rastreamento
Além do Papanicolau, os testes moleculares que detectam os tipos de HPV de alto risco têm ganhado espaço no rastreamento. Esses exames conseguem identificar a presença do vírus antes que haja alterações citológicas detectáveis, o que amplia as possibilidades de prevenção. O teste de HPV vem sendo incorporado progressivamente como método primário, inclusive na rede pública, enquanto o Papanicolau segue nos protocolos vigentes.
Após a identificação do vírus, a estratégia de acompanhamento depende do tipo de HPV detectado, da existência de alterações associadas e das recomendações clínicas.
Vacinação e equívocos sobre o HPV
A vacinação contra o HPV é destacada como medida preventiva importante, com maior eficácia quando administrada antes da exposição ao vírus, por isso indicada na infância e adolescência. Contudo, a vacina não protege contra todos os tipos de HPV capazes de causar alterações, razão pela qual mulheres vacinadas devem manter o rastreamento conforme orientação médica.
O HPV é uma infecção comum e pode persistir de forma assintomática por anos. Um teste positivo não permite determinar quando a infecção ocorreu nem atribuir culpa a parceiros, portanto não é prova de infidelidade. Na maioria das pessoas, o sistema imune controla a infecção; o risco maior está na persistência dos tipos de alto risco.
Informação e seguimento
Como o desenvolvimento do câncer do colo do útero costuma ser lento e antecedido por alterações tratáveis, a combinação de vacinação, rastreamento adequado e acompanhamento ginecológico reduz significativamente o risco de progressão para doença invasiva. Superar o constrangimento, não ignorar a ausência de sintomas e seguir as recomendações de rastreamento são medidas que contribuem para a prevenção e para a detecção precoce.
Fonte: Revistasoberana


