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domingo, novembro 8, 2026

Produção de borracha natural no Triângulo Mineiro gera emprego e movimenta economia local

Na região do Triângulo Mineiro, a borracha natural extraída de seringueiras sustenta atividades rurais e abastece a indústria. Em uma fazenda próxima a Indianópolis, o manejo e a retirada do látex exigem planejamento, acompanhamento constante e mão de obra especializada.

Wesley Luiz Resende, administrador da propriedade por mais de duas décadas, informa que a área produtiva soma 200 hectares e reúne aproximadamente 70 mil árvores em fase de produção. Apesar dos avanços tecnológicos no setor agrícola, ele ressalta que a extração continua dependendo em grande parte do trabalho humano.

Como é feita a extração

A retirada do látex, chamada sangria, consiste em um corte controlado na casca do tronco para permitir que o líquido escorra para um recipiente, sem atingir a madeira. O sangrador, responsável pela operação, deve aplicar o corte com precisão: se for superficial, pode não alcançar os vasos; se for profundo, arrisca ferir a árvore e reduzir sua produtividade.

Segundo Wesley, cerca de 90% das operações na cultura dependem da técnica do sangrador, e o controle de qualidade da sangria é fundamental para preservar as seringueiras. O trabalhador Fábio Vicente Modesto explica que o corte é adaptado a cada árvore e ao estado do painel de sangria, e que, com manejo adequado, a produção pode se estender por décadas.

O engenheiro florestal José Geraldo Magest observa que existem vários métodos de extração e que o uso incorreto das técnicas pode causar danos severos a um seringal. Ele menciona também o emprego de substâncias estimulantes para manter os vasos abertos e aumentar a liberação de látex, mas ressalta que essa prática depende da saúde da planta, nutrição e condições climáticas.

Rotina e cuidados

Na fazenda, o trabalho é dividido por áreas, com cada sangrador responsável por um conjunto de árvores. Em geral, a mesma seringueira é sangrada a cada cinco dias. Após a extração, o látex é recolhido em grandes bags, levado ao ponto de pesagem e preparado para transporte até a usina de beneficiamento.

O regime de trabalho é de parceria: os sangradores recebem uma parte da produção, enquanto o restante fica com o proprietário, o que permite autonomia na organização da rotina, desde que a qualidade da extração seja mantida.

O clima influencia diretamente a atividade. Chuvas que molham o painel de sangria podem impedir o escoamento do látex, exigindo o uso de coagulante para evitar perdas; conforme Wesley, em cerca de 24 horas o látex pode se transformar em borracha se coagulado corretamente.

Entre as práticas de manutenção estão o controle de plantas invasoras e o monitoramento de doenças e pragas. Na região, problemas comuns são o oídio — fungo que forma um pó nas folhas e prejudica a fotossíntese — e ataques de ácaros, que perfuram as folhas para sugar nutrientes. Para combater pragas, a propriedade aplica enxofre duas a três vezes por ano e utiliza produtos no painel de sangria para estimular a produção, respeitando os intervalos recomendados.

A extração é interrompida durante a troca de folhas das seringueiras para realizar manutenção nos painéis e nos recipientes de coleta. O cultivo no Triângulo Mineiro e no Alto Paranaíba é favorecido pelo clima local e tem relevância econômica para o agronegócio, embora demande planejamento e investimento de longo prazo, já que são necessários vários anos até o início da produção.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), citados pelo portal Paranaíba Mais, indicam que Minas Gerais produziu mais de 50 mil toneladas de borracha em 2025, movimentando aproximadamente R$ 278 milhões; o estado figura entre os três maiores produtores do país, com o município de Prata liderando a produção estadual.

Após sair da fazenda, o látex segue para uma usina onde passa por beneficiamento e é transformado em borracha natural para uso industrial. Entre os desafios apontados pelos produtores estão o tempo para recuperar o investimento — o intervalo entre o plantio e a colheita do primeiro quilo é de sete a oito anos —, a manutenção contínua do seringal e as oscilações de mercado.

Wesley considera o cultivo uma alternativa de rentabilidade no futuro para proprietários rurais dispostos a investir no plantio e no cuidado das árvores. Informações técnicas adicionais sobre o cultivo estão reunidas no livro “Cultura da seringueira no Cerrado”, de A. V. Pereira e E. B. C. Pereira, publicação da Embrapa direcionada a produtores e profissionais do setor.

As informações foram publicadas originalmente pelo portal Paranaíba Mais.

Fonte: Uberlandianofoco

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo Portal em Destaque, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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