Fintech Naskar passa a ser investigada pela Polícia Civil do DF
A fintech Naskar Gestão de Ativos está sendo alvo de investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) após clientes e parceiros relatarem impossibilidade de acessar recursos investidos, falhas no aplicativo da empresa e ausência de esclarecimentos por parte da gestão. Foram registrados quatro boletins de ocorrência entre quinta-feira (7) e sexta-feira (8) de maio de 2026, segundo a PCDF; as ocorrências foram protocoladas em delegacias diferentes, que apurarão os fatos de forma independente.
Dois contratantes da Naskar apontaram prejuízos estimados em, ao menos, R$ 335 milhões quando somados: o Grupo Nexco calcula impacto de aproximadamente R$ 288 milhões sobre cerca de 1.250 clientes, colaboradores e pessoas ligadas à sua base, enquanto outra empresa relatou perda aproximada de R$ 47 milhões representada por aportes de 135 clientes.
O empresário Wesley Miranda Albuquerque, sócio-administrador de uma empresa de planejamento financeiro em Brasília, registrou ocorrência afirmando que pagamentos previstos para segunda-feira (4) não foram efetuados e que o aplicativo usado pelos clientes saiu do ar. Wesley informou que clientes e parceiros confiam na instituição há anos e que, após tentativas de contato sem resposta, buscou orientação jurídica para formalizar a queixa e solicitar medidas judiciais com objetivo de bloqueio de valores.
O Grupo Nexco também ajuizou ação judicial contra a Naskar Holding. Em sua petição, o grupo alega que repasses estabelecidos em contratos de mútuo, que deveriam ser feitos no primeiro dia útil de cada mês, não foram honrados. A Nexco afirma que a indisponibilidade do aplicativo e a falta de retorno da Naskar transformaram o atraso em uma crise de confiança e informação, o que motivou o pedido de tutela cautelar para resguardar direitos dos afetados.
Segundo o Grupo Nexco, se considerada toda a operação da Naskar, a companhia teria cerca de R$ 850 milhões em contratos de mútuo, com impacto potencial sobre mais de 2.700 pessoas. O grupo disse também não ter identificado sinais prévios públicos que indicassem irregularidade na operação antes da interrupção dos serviços.
Reclamações publicadas em plataformas como o Reclame Aqui relatam indisponibilidade do aplicativo, saldo e valores inacessíveis, além de ausência de comunicação oficial por parte da Naskar. Usuários em diversas regiões apontaram prejuízos financeiros e falta de previsão para devolução ou esclarecimentos sobre o problema.
A Naskar informou que iniciou uma auditoria interna ao detectar inconsistências em sua base de dados e que equipes técnicas trabalham na revisão e validação das informações para garantir a segurança e a precisão do tratamento dos dados. A empresa declarou que os clientes serão atualizados o mais breve possível. Os sócios-administradores da Naskar são Jose Mauricio Volpato (conhecido como Maurício Jahu), Marcelo Liranco Arantes e Rogerio Vieira.
As investigações policiais e as ações judiciais seguem em curso, com pedidos de esclarecimentos e medidas cautelares por parte dos prejudicados.
Fonte: G1


