Chanceleres do bloco se reúnem em Nova Délhi em meio a tensão regional e volatilidade nos mercados de energia
Os ministros das Relações Exteriores dos países do BRICS se encontraram na quinta-feira (14) em Nova Délhi, Índia, para discutir os desdobramentos da guerra no Oriente Médio e as consequências da crise do petróleo para a economia global. Entre os participantes estavam representantes de Rússia, Irã, Brasil, China e África do Sul; o chanceler brasileiro Mauro Vieira integrou a delegação brasileira.
O encontro acontece num momento marcado por confrontos envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, e por instabilidade em rotas marítimas do Golfo Pérsico. O bloqueio do Estreito de Ormuz — rota crucial para o transporte de petróleo — tem agravado a insegurança sobre o abastecimento energético e pressionado preços de petróleo e gás.
Antes das reuniões fechadas, o ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, disse que o cenário internacional passa por transformações significativas. Segundo ele, os conflitos em curso e as incertezas econômicas, além de desafios em comércio, tecnologia e clima, estão redesenhando o quadro global. Jaishankar afirmou ainda haver uma expectativa de que o BRICS atue de maneira construtiva e contribua para estabilizar a situação, especialmente entre países emergentes e em desenvolvimento.
O grupo, criado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul como um fórum para articulação entre grandes economias emergentes, foi ampliado nos últimos anos para incluir novas adesões, como Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. A expansão, contudo, intensificou divergências internas do bloco, principalmente em relação a posições sobre o Oriente Médio, onde Irã e Arábia Saudita se colocam em lados opostos do conflito.
Entre os presentes estavam o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, e o representante do Irã, Abbas Araghchi. Diplomatas ouvidos pelo bloco indicaram que as tensões no Golfo têm gerado volatilidade nos mercados de energia e aumentado a pressão sobre economias importadoras, como a Índia, que obtém cerca de metade do petróleo bruto que consome por meio do Estreito de Ormuz e também depende da rota para a importação de fertilizantes.
Diante das divisões entre as delegações, há avaliações internas de que a reunião poderá terminar sem uma declaração conjunta do BRICS.


