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quinta-feira, maio 14, 2026

Acusações contra Daniel Vorcaro incluem lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa, diz PF

Quem: A Polícia Federal investiga o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e familiares, entre eles o pai, Henrique Vorcaro, preso na quinta fase da Operação Compliance Zero nesta quinta-feira (14).

O quê e quando: As apurações, que avançaram após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central no final do ano passado e depois da prisão do próprio banqueiro, apontam um conjunto de crimes que vão de gestão fraudulenta e estelionato a lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. A nova fase da operação ocorreu em 14 de maio de 2026.

Onde e como: Segundo a PF, o esquema ocorria no âmbito do Banco Master e envolvia uma “linha de produção” de documentos falsos — contratos, extratos, planilhas e procurações — para simular empréstimos e carteiras de crédito inexistentes e inflar artificialmente o patrimônio da instituição. Em um exemplo citado pelos investigadores, ativos adquiridos por cerca de R$ 850 mil foram registrados como se valessem mais de R$ 10 bilhões. O Banco Central também identificou irregularidades em certificados de depósito bancário (CDBs).

Esquema financeiro e emissão de CDBs

A PF diz que o banco emitiu R$ 50 bilhões em CDBs oferecendo rendimentos superiores ao mercado, sem demonstrar liquidez suficiente para honrar esses títulos. Para ocultar perdas e movimentar recursos, a investigação aponta uso de fundos e empresas, incluindo operações rápidas entre fundos administrados pela Reag Investimentos, num padrão descrito como “ciranda financeira”.

Lavagem de dinheiro

Os investigadores afirmam que parte dos recursos captados era transferida entre fundos e empresas para criar aparência de rentabilidade e esconder a origem. A PF apura conexão entre a estrutura ligada ao Banco Master e a Operação Carbono Oculto, que investiga suposta lavagem de dinheiro do PCC. O fundo Gold Style, gerido pela Reag, teria recebido cerca de R$ 1 bilhão de empresas apontadas como ligadas ao PCC e repassado cerca de R$ 180 milhões à Super Empreendimentos, cujo diretor foi Fabiano Zettel, cunhado de Daniel.

Organização criminosa, milícia privada e intimidações

Segundo a PF, Vorcaro chefiava uma estrutura com divisão de tarefas e dois núcleos operacionais: um chamado “A Turma”, responsável por ações presenciais como ameaças e monitoramento, e outro, “Os Meninos”, formado por hackers que realizavam invasões e espionagem digital. A investigação cita Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, como coordenador operacional; Mourão morreu após tentativa de suicídio em uma cela da PF.

Corrupção e infiltração em órgãos de fiscalização

A PF também apura pagamento de vantagens a servidores do Banco Central, com valores que teriam chegado a até R$ 1 milhão por mês, para antecipar fiscalizações e fornecer informações privilegiadas. Servidores afastados pelo STF passaram a usar tornozeleira eletrônica. Há ainda investigação sobre consultas indevidas a sistemas sigilosos por parte do agente Anderson Wander da Silva Lima e da delegada Valéria Vieira Pereira da Silva, segundo a PF.

Crimes cibernéticos

O grupo de hackers é acusado de invadir sistemas de órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e agências internacionais, com o objetivo de identificar informações sobre as investigações antes das operações e também de derrubar perfis em redes sociais e monitorar adversários.

Penalidades apontadas pela investigação: gestão fraudulenta (Art. 4º da Lei 7.492/86) e estelionato (art. 171 do Código Penal), lavagem de dinheiro (Lei 9.613/98), organização criminosa (art. 2º da Lei 12.850/13), configuração de milícia privada e coação (arts. 288-A e 344 do Código Penal), corrupção ativa e passiva (arts. 333 e 317 do Código Penal) e invasão de dispositivo informático (art. 154-A do Código Penal), com penas previstas conforme descrito na investigação.

Defesa: Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro afirmou: “Constata-se que decisão se baseia em fatos cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo. E não estão porque não foram solicitados à defesa e nem a ele. O ideal seria ouvir as explicações antes de medida tão grave e desnecessária. Cuidaremos imediatamente de demonstrar a estamos a dizer ainda hoje.”

A Polícia Federal considera que a organização manteve pagamentos e ações clandestinas mesmo após fases anteriores da operação, argumento usado para justificar pedidos de prisão preventiva na nova fase da Compliance Zero.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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