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sexta-feira, maio 15, 2026

Mulheres negras recebem cerca de

Mulheres negras permanecem na base da desigualdade econômica, indica IJER

Mulheres negras tiveram, em média, aproximadamente metade da renda dos homens brancos entre 2016 e 2023, segundo o Índice de Justiça Econômica Racial (IJER) divulgado pela Fundação Grupo Volkswagen em parceria com o Fundo Agbara. O levantamento avaliou como raça e gênero afetam acesso a renda, educação, emprego e moradia no país, com base em dados do IBGE e do Ipea.

O estudo destaca que, apesar de avanços em áreas como educação e inclusão social, a estrutura de desigualdade econômica no Brasil se manteve praticamente inalterada no período, configurando uma “pirâmide econômica rígida”. Homens brancos permanecem no topo dos indicadores de justiça econômica e renda, seguidos por mulheres brancas, homens negros e, na base, mulheres negras.

Como exemplo de renda domiciliar per capita, o levantamento aponta que, em 2016, mulheres negras recebiam R$ 862,98, ante R$ 1.821,55 dos homens brancos. Em 2023, o estudo registra R$ 1.191,66 para mulheres negras e R$ 2.381,43 para homens brancos. Em outra apresentação dos dados de 2023, o IJER indica os seguintes valores de renda domiciliar per capita: homens brancos R$ 2.844,21; mulheres brancas R$ 2.410,43; homens negros R$ 1.567,88; mulheres negras R$ 1.402,18.

O levantamento ressalta ainda que os anos de 2020 e 2021 foram excluídos da série histórica devido à mudança na metodologia de coleta da PNAD Contínua durante a pandemia, quando entrevistas passaram a ser realizadas por telefone.

O índice de justiça econômica subiu de 0,53 em 2016 para 0,59 em 2023 (em uma escala de 0 a 1, sendo 1 o maior nível de justiça). Apesar da melhora geral, o crescimento ocorreu de forma paralela entre os grupos, sem reduzir as desigualdades históricas: mulheres negras foram o único grupo abaixo da média nacional em todos os anos analisados.

Entre outros achados, o estudo aponta que, em média, mulheres brasileiras recebem 78% da renda dos homens; entre mulheres negras esse percentual cai para 59%. Pessoas brancas têm rendimentos, em média, 87% maiores que pessoas negras. Em 2023, apenas 33,3% das mulheres negras trabalhavam com carteira assinada — o menor percentual entre os grupos analisados.

Os pesquisadores registraram também maior concentração de mulheres negras em empregos informais, subocupação, maiores taxas de desemprego e presença predominante no trabalho doméstico, especialmente sem carteira. Na educação e moradia, o estudo aponta sub-representação no ensino superior e condições de infraestrutura mais precárias: em 2023, 31,6% das mulheres negras dependiam de fossas não ligadas à rede de esgoto, contra 20,7% das mulheres brancas.

O IJER recomenda ações focalizadas em raça, gênero e território, como priorizar mulheres negras em políticas públicas, garantir permanência no ensino com apoio financeiro e estrutural, valorizar o trabalho de cuidado e ampliar oportunidades de emprego formal, de modo a reduzir a presença em atividades informais e de baixa remuneração.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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