A aceitação da inteligência artificial (IA) na medicina depende da percepção de competência técnica e da garantia de múltiplos níveis de controle, segundo estudo publicado em 2026. Pesquisadores identificaram que, embora a IA já seja usada em predições de readmissão e mortalidade, monitoramento de sepse, análise de imagens radiográficas e triagem de câncer, a confiança dos pacientes permanece centrada no profissional de saúde.
Quem: pacientes e pesquisadores que avaliaram fatores de confiança em sistemas de IA médica. O estudo citado foi assinado por Bracic A, Spector-Bagdady K, Towle S, Zhang R, James CA e Price WN e publicado no JAMA Network Open (V. 9, N. 3, 2026).
O que: a pesquisa aponta que a confiança do paciente está relacionada a comportamentos de saúde positivos, maior satisfação e maior engajamento em decisões compartilhadas. No entanto, há um nível basal baixo de confiança no uso responsável da IA por parte dos serviços de saúde, em grande parte devido a preocupações sobre riscos e vieses nos dados.
Como: os pacientes demonstraram preferência por sistemas de IA treinados em bases de dados representativas da população, valorizando transparência sobre as fontes de dados. Além disso, a supervisão por um clínico continua a ser considerada necessária; mesmo pacientes que consultam a IA não dispensam a avaliação humana.
Quando e onde: as conclusões baseiam-se em estudos recentes e na publicação de 2026, refletindo evidências atuais sobre a integração da IA em práticas clínicas.
Por que: a confiança é influenciada pela percepção de segurança e competência técnica dos sistemas, bem como pela existência de controles que minimizem riscos e viés. Ainda assim, o contato direto entre paciente e profissional — o “olho no olho” — permanece preferido para avaliações pessoais e individualizadas da saúde.
O levantamento também aponta diferenças por sexo: homens e mulheres têm preferências semelhantes em relação à transparência e controles, mas as mulheres apresentam um nível basal de confiança mais baixo em consultas que envolvem IA, segundo os autores do estudo.
As descobertas reforçam que a incorporação da IA na assistência médica exigirá não só avanços tecnológicos, mas também estratégias que aumentem a representatividade dos dados, aprimorem a transparência das ferramentas e mantenham a supervisão clínica como componente central do cuidado.
Fonte: Bracic A, Spector-Bagdady K, Towle S, Zhang R, James CA, Price WN. JAMA Netw Open, V. 9, N. 3, 2026 — Factors for Patient Trust and Acceptance of Medical Artificial Intelligence
Artigo publicado por: Dra. Gisele Vissoci Marquini — CRM 34170 RQE 19701 (Ginecologia/Uroginecologia/Cirurgia Vaginal)
https://revistasoberana.com.br/2026/05/16/o-que-determina-a-confianca-do-paciente-na-ia-medica/


