Dr. John Gordon abre clínica alinhada a convicções cristãs e muda práticas de FIV
O endocrinologista reprodutivo Dr. John Gordon fundou a Rejoice Fertility, uma clínica de fertilização in vitro em Knoxville, Tennessee, orientada por princípios cristãos que proíbe o descarte de embriões viáveis. A mudança na prática teve início em 2018, após discussões com a esposa, Allison Gordon, e resulta em procedimentos que também evitam testes genéticos, doação para pesquisas e a criação de embriões excedentes.
Gordon, que atuava como codiretor de uma clínica nos arredores de Washington, D.C., passou a questionar o destino de embriões armazenados por longos períodos e o uso ampliado de testes genéticos, que permitem seleção de sexo e identificação de doenças de gravidade variável. Aos 55 anos, decidiu realinhar sua atuação médica para conciliar a carreira com suas convicções religiosas.
A Rejoice Fertility limita a quantidade de embriões gerados por ciclo, prioriza protocolos com menor uso de medicamentos — reduzindo custo e número de óvulos — e dá a pacientes a opção de fertilizar menos óvulos. Gordon afirma que essa abordagem busca não aumentar o estoque de embriões criopreservados nos Estados Unidos, estimado por especialistas em cerca de 1,5 milhão.
Os procedimentos na clínica incluem orações antes das transferências e material de cunho evangélico na sala de espera. Pacientes como Maggie e Cade Lichfield, e Domenic e Olivia D’Agostino, relataram preferência pela Rejoice por sua política de não descartar embriões e pela ênfase na soberania de Deus durante o tratamento. Ações como essas também atraem casais interessados na chamada “adoção de embriões”: quando embriões excedentes são doados para outras famílias em vez de serem descartados.
Para formalizar esse compromisso, a clínica criou o programa Rejoice Embryo Rescue, descrito por Gordon como um “orfanato” que armazena embriões doados e trabalha com agências, em maioria cristãs, que coordenam a adoção. Um casal, Adrienne e Colby McKnight, adotou embriões pela Rejoice; outro caso citado envolveu o nascimento, em 2025, de uma criança a partir de um embrião congelado por quase 31 anos — recorde documentado pela clínica.
O laboratório da clínica é gerido pela embriologista sênior Sarah Coe Atkinson, que afirma aceitar embriões independentemente de sua aparência ou prognóstico, e criou uma biblioteca de dispositivos antigos de armazenamento e instruções para uso e treinamento. A clínica também atende pacientes de outras regiões dos EUA, mesmo que isso implique custos mais altos caso seja necessário repetir ciclos: um novo ciclo na Rejoice varia entre US$ 8.000 e US$ 10.000.
A trajetória de Gordon inclui formação em Princeton, faculdade de medicina em Duke e residência em Stanford. Criado em família judaica, ele se converteu ao cristianismo após uma experiência pessoal durante a hospitalização do filho e foi batizado em 2000; hoje faz parte da Igreja Presbiteriana Evangélica Conservadora da América. A congregação local, Christ Covenant, apoia a missão da Rejoice, embora a clínica não exija que funcionários ou pacientes compartilhem as mesmas crenças.
As posições da Rejoice ocorrem em meio a debates públicos ampliados por decisões judiciais recentes nos EUA — citadas no contexto do tema — e por discussões dentro de denominações religiosas. A Convenção Batista do Sul, por exemplo, em 2024 pediu restrições à FIV quando há destruição da “vida humana embrionária”. Além disso, o tema divide opiniões entre cristãos e ativistas pró-vida, e gerou disputas legais no processo de compra da clínica e críticas de setores que consideram toda FIV eticamente problemática.
Gordon afirma que a reorganização da prática permitiu a ele conciliar fé e profissão, apesar das tensões e dos desafios administrativos. Em um caso recente, a clínica descongelou e transferiu um embrião que resultou em gravidez quatro semanas depois, exemplificando o modelo de atendimento que combina técnicas de reprodução assistida com práticas religiosas.
Fonte: G1


