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terça-feira, junho 23, 2026

Investimento de Joesley Batista em Avibrás reforça crescimento do setor bélico brasileiro

Investidores aportaram R$ 300 milhões na Avibrás, que retomou produção após recuperação judicial e greve de 1.281 dias.

Quem e o que

A Avibrás, fabricante brasileira de sistemas de defesa e do setor aeroespacial fundada em 1961, voltou a operar em sua unidade de São José dos Campos (SP) após processo de recuperação judicial iniciado em 2022. A retomada da produção de foguetes e mísseis foi viabilizada por um aporte de R$ 300 milhões feito por um grupo de investidores, entre os quais está o empresário Joesley Batista, do grupo JBS. A empresa passou a operar sob o nome Avibrás Aeroco.

Quando e onde

A reabertura da fábrica ocorreu no mês passado em São José dos Campos, cidade do interior de São Paulo, depois de uma crise financeira que culminou numa greve de 1.281 dias.

Contexto e por que

O investimento na Avibrás ocorre em um momento de alta nos gastos militares globais e de crescimento das exportações brasileiras de material de defesa. Segundo relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), os gastos militares mundiais cresceram 2,9% em termos reais, atingindo US$ 2,887 trilhões em 2025, o que representa 2,5% do PIB global.

Brasil: aumento de gastos e exportações

O Brasil liderou a expansão dos gastos militares na América do Sul em 2025, com aumento de 13% para US$ 23,9 bilhões, impulsionado por maiores investimentos em tecnologia naval e custos com pessoal militar, segundo o SIPRI. No mesmo ano, autorizações para exportações brasileiras de produtos e serviços de defesa atingiram US$ 3,1 bilhões, alta de 74% em relação a 2024 (US$ 1,78 bilhão) e mais que o dobro do valor de 2023 (US$ 1,45 bilhão), conforme o Ministério da Defesa. Entre 2023 e 2025, o crescimento acumulado foi de cerca de 114%.

Demanda externa e empresas

Além da Avibrás, outros negócios chamaram atenção, como o maior pedido internacional já recebido pela Embraer: um contrato dos Emirados Árabes para o cargueiro C-390 Millennium. A Base Industrial de Defesa (BID) brasileira, composta por estatais e privadas articuladas pelo Ministério da Defesa, atualmente vende para 140 países e conta com 80 empresas exportadoras. O setor corresponde a cerca de 3,5% do PIB e gera quase 3 milhões de empregos diretos e indiretos.

Opiniões de especialistas e riscos

Diego Lopes, pesquisador sênior do programa de despesas militares e produção de armamentos do SIPRI, afirmou à BBC News Brasil que a tendência global é de continuidade no crescimento dos gastos militares, com mais de 100 países aumentando despesas em 2025. Marcos Barbieri, professor da Unicamp e especialista em indústria de defesa, lembrou que o Brasil é exportador de armas e munições leves desde os anos 1970 e que, a partir de 2008, uma estratégia nacional de defesa incentivou o desenvolvimento de produtos mais complexos, como o avião C-390 e projetos navais como a fragata Tamandaré.

Preocupações sobre destino das armas

Analistas apontam riscos relacionados ao destino final do material bélico. Bruno Langeani, consultor-sênior do instituto Sou da Paz, destacou preocupações com vendas a governos autoritários, grupos armados e a circulação em mercados ilegais. Em 2024, as exportações brasileiras para Burkina Faso somaram US$ 8,4 milhões, país que sofreu um golpe militar no fim de 2022. Casos passados, como denúncias sobre vendas da Condor ao Bahrein e o uso de equipamentos brasileiros em conflitos como o do Iêmen, também são citados por especialistas. A CBC afirma adotar um código de conduta para terceiros que inclui exigência de autorizações dos órgãos competentes e proibição de operações com países em conflito interno.

A Avibrás não se manifestou sobre o aporte e os planos de produção.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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