15.6 C
Uberlândia
sábado, junho 20, 2026

Construtoras teriam fraudado financiamentos da Caixa e deixado obras inacabadas, dizem famílias

Sonho da casa própria virou disputa após liberações de crédito

Casais de diferentes estados relatam ter sido vítimas de um esquema que, segundo eles, envolveu construtoras e documentos de liberação de recursos da Caixa Econômica Federal para financiamentos habitacionais. Apesar de o banco ter liberado parcelas elevadas ao longo dos anos, diversas construções seguem paralisadas ou não avançaram conforme indicado nos laudos apresentados à instituição.

No Distrito Federal, Isael e Marcela financiaram, segundo a família, entre R$ 400 mil e R$ 500 mil para erguer a residência. Três anos após o início dos trabalhos, o terreno mostra sinais de abandono e a família segue morando de aluguel. Laudos enviados à Caixa teriam apontado mais de 80% da obra concluída, mas perícia contratada posteriormente constatou assinaturas falsificadas de Marcela e que menos da metade do serviço estava executada. Após suspeitarem de fraude, o casal interrompeu os pagamentos e foi informado de que o imóvel pode ser levado a leilão para quitar a dívida.

No Rio Grande do Sul, em Alvorada, Guilherme e Bruna contrataram, em 2022, financiamento de R$ 290 mil para construir sua casa. A empresa responsável recebeu mais de R$ 200 mil do financiamento, porém abandonou a obra meses depois. Relatórios apresentados à Caixa indicavam itens como cobertura e instalações praticamente finalizados, mesmo sem início dos serviços na prática. O homem que se apresentava como empregado do banco e intermediava o processo foi demitido da Caixa por justa causa; não há, porém, condenação judicial no caso.

As famílias relatam impactos financeiros significativos: Guilherme afirma ter acumulado dívida superior a R$ 200 mil com a Caixa e ter pago R$ 62 mil à construtora por fora. Em Pernambuco, outro casal acusou uma construtora de cobrar além do executado e reter a diferença; o proprietário da empresa foi condenado por estelionato, com prejuízo superior a R$ 126 mil para os clientes.

Como o modelo de financiamento funciona e respostas

O modelo de financiamento adotado pela Caixa prevê a liberação de recursos em parcelas atreladas ao avanço das obras, com base em laudos técnicos. Em contratos desse tipo, é comum que o cliente administre os repasses aos prestadores de serviço. A Caixa informou que apura irregularidades que envolvam funcionários, mas, segundo especialistas ouvidos na reportagem, inconsistências em laudos — como assinaturas forjadas ou percentuais de conclusão incompatíveis com a realidade — poderiam ter sido detectadas antes.

Algumas famílias conseguiram terminar as construções por conta própria. Renata e Michel afirmam ter investido mais de R$ 386 mil antes de identificar problemas. Com novos empréstimos e apoio familiar, conseguiram concluir a casa, embora ainda enfrentem dificuldades financeiras.

Em nota, a construtora Âmbar Prumo diz que as obras seguiram as normas da Caixa e que responderá às acusações na Justiça. Pedro André Marchesi Cecegolo, ex-funcionário da Caixa ligado à construtora Vitro Viana, recorre da demissão na Justiça do Trabalho e nega ter causado prejuízos à Caixa. O dono da Multicons, condenado por estelionato, afirma que os recursos foram integralmente aplicados na obra e também recorre da decisão.

G1 – Fantástico

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
Últimas Notícias
Veja também