O governo do Reino Unido anunciou nesta quarta-feira (20) a assinatura de um acordo comercial com os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) que, segundo estimativa oficial, poderá gerar cerca de US$ 5 bilhões por ano (aproximadamente R$ 25,2 bilhões) no longo prazo. O tratado visa aprofundar os laços econômicos entre Londres e os seis membros do bloco: Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Autoridades britânicas ressaltaram que o acordo foi fechado em um momento de tensões na região, intensificadas após ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã em fevereiro, episódios que pressionaram o fornecimento de energia e de alimentos no mercado internacional. Sobre o acordo, o ministro do comércio do Reino Unido, Peter Kyle, afirmou: “Em um momento de crescente instabilidade, o anúncio de hoje envia um sinal claro de confiança, dando aos exportadores do Reino Unido a certeza de que precisam para planejar o futuro”.
O governo britânico informou que a estimativa de benefícios econômicos superou a projeção anterior de 1,6 bilhão de libras (US$ 2,1 bilhões ou R$ 10,8 bilhões). O aumento nas expectativas foi atribuído ao escopo mais amplo do tratado em relação à liberalização comercial e aos compromissos no setor de serviços.
Entre as medidas previstas, o acordo eliminará 93% das tarifas aplicadas pelo CCG sobre produtos britânicos — o que corresponde a cerca de 580 milhões de libras (US$ 777 milhões ou R$ 3,9 bilhões) em taxas ao longo de dez anos. As autoridades estimam que cerca de dois terços dessas tarifas serão removidos assim que o tratado entrar em vigor.
Setores como automotivo, aeroespacial, eletrônico e de alimentos e bebidas foram indicados como potenciais principais beneficiários. Produtos agrícolas e alimentícios britânicos, citados pelo governo, incluem cereais, queijo cheddar, chocolate e manteiga, que passarão a ser isentos de tarifas. Em contrapartida, o Reino Unido reduzirá tarifas para bens originados nos países do CCG, embora as exportações mais relevantes desses parceiros — petróleo e gás — já sejam isentas de impostos contratuais.
Na área de serviços, o governo britânico disse ter mantido as regras atuais de acesso ao mercado do CCG, permitindo que empresas continuem a expandir suas operações sem imposição de novas barreiras, ao mesmo tempo em que os países do Golfo poderão desenvolver setores domésticos.
O governo afirmou ainda que o acordo não modifica nem enfraquece os padrões britânicos de proteção ambiental ou de dados e que o texto não traz menções a direitos humanos. Ativistas haviam alertado para riscos nesse campo; Tom Wills, diretor do Trade Justice Movement, criticou a ausência de garantias: “ao não incluir proteções de direitos humanos no acordo, o Reino Unido deu um passo moral para trás”.
O pacto também amplia regras de proteção a investidores, estendendo-as a três países do CCG que antes não eram cobertos, e prevê um mecanismo que permite a investidores acionar o governo britânico na Justiça — ponto que recebeu críticas de especialistas.
Com reportagem da agência de notícias Reuters.


