Love Kills tem atraído atenção internacional antes de chegar às salas brasileiras, sendo destacado como uma produção inovadora no campo do terror. A obra combina elementos de vampirismo com crítica social e já passou por eventos importantes, como o Festival do Rio e o Marché du Film de Cannes, obtendo reconhecimento do público e da crítica.
Adaptado da graphic novel de Danilo Beyruth, o filme acompanha Helena, uma vampira imortal interpretada por Thais Lago, que vive no centro de São Paulo. A trama se desenvolve em torno de intrigas que envolvem também um garçom ingênuo, interpretado por Gabriel Stauffer, em um contexto que espelha a complexidade da vida urbana e as margens da cidade.
A metáfora dos vampiros
A diretora descreve os vampiros como uma metáfora para grupos marginalizados — incluindo imigrantes e exilados — e sublinha que, apesar do poder sobrenatural de Helena, ela encara medos e desafios que dialogam com a experiência feminina atual. Essa tensão entre força e vulnerabilidade aparece como eixo central da narrativa.
A opção pelo centro de São Paulo como cenário é tratada pela realizadora não só como escolha estética, mas também prática: a cidade funciona quase como um personagem, oferecendo diversidade de ambientes que enriquecem a história. Segundo a diretora, cada trecho do centrão aporta uma nova cena e contribui para a profundidade do filme.
O percurso de Love Kills por festivais estrangeiros é apresentado pela equipe como reflexo de uma demanda por produções brasileiras de fantasia. A diretora observa que o gênero figura entre os mais consumidos globalmente e que o filme leva ao cinema nacional uma perspectiva menos associada a dramas e comédias, tradicionalmente mais vinculadas à produção local.
Além de destacar a proposta criativa do projeto, a diretora — que é uma mulher trans — ressalta a importância da diversidade no audiovisual, afirmando que diferentes vozes são fundamentais para ampliar e desafiar as narrativas estabelecidas. Em suas palavras: “O raro, o escasso, o diferente será a manifestação verdadeiramente humana”.
Com essa proposta, Love Kills se apresenta como mais do que um título de terror: pretende provocar reflexões sobre condição humana, marginalização e busca de identidade, e tem chances de abrir espaço para novas vozes e histórias do cinema brasileiro no cenário internacional.


