A Administração Geral de Aduanas da China (GACC) anunciou a suspensão temporária das compras de carne bovina de unidades frigoríficas brasileiras, entre elas a planta da Prima Foods em Araguari (SIF 157), no Triângulo Mineiro, após a identificação de resíduos de acetato de medroxiprogesterona em um lote exportado ao país asiático.
Além da unidade da Prima Foods, a medida atinge uma planta da Frialto em Matupá (SIF 4490), no Mato Grosso, e uma unidade da JBS em Pontes e Lacerda (SIF 51), também no Mato Grosso. Segundo a autoridade chinesa, o composto detectado é um hormônio sintético cuja presença contraria a legislação sanitária da China.
A suspensão elevou a apreensão no setor pecuário brasileiro, principalmente em regiões que dependem de vendas internacionais de proteína animal. A unidade da Prima Foods em Araguari integra a cadeia de exportação do país e a paralisação afeta negociações e o fluxo de embarques direcionados ao mercado chinês.
A China é atualmente o principal destino para a carne bovina produzida no Brasil; por isso, eventuais restrições sanitárias tendem a repercutir em preços, contratos de exportação e nos procedimentos de fiscalização das plantas habilitadas para comércio exterior.
Em comunicado divulgado após a decisão das autoridades chinesas, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) caracterizou a medida como preventiva e temporária, informando que acompanha o caso em articulação com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e as empresas envolvidas.
O Ministério da Agricultura confirmou ter aberto investigação sobre a ocorrência apontada pela China e ressaltou que os sistemas brasileiros de controle sanitário e rastreabilidade possuem reconhecimento internacional. A pasta informou que trabalha em parceria com os frigoríficos e com as autoridades competentes para apurar os fatos.
Por sua vez, a Administração Geral de Aduanas da China apontou preocupação com o aumento de não conformidades em carregamentos brasileiros, com foco em resíduos de medicamentos veterinários e substâncias proibidas pelo país importador.
O episódio ocorre em um momento de pressão sobre o setor agropecuário nacional, que já enfrenta desafios relacionados a custos de produção, disponibilidade de crédito rural e aumento da inadimplência em parte da cadeia.
Fonte: Regionalzao


