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sábado, maio 23, 2026

Baixo desempenho em Matemática na Prova Nacional Docente 2025 amplia preocupação com formação de professores

Resultados da prova e reação de especialistas

O Ministério da Educação divulgou os resultados da Prova Nacional Docente aplicada em 2025, em que professores de Matemática registraram o menor índice de proficiência entre as áreas avaliadas. Enquanto a área de Ciências Humanas alcançou 80,2% de profissionais considerados proficientes, apenas 45% dos participantes de Matemática atingiram esse nível.

Kátia Smole, presidente do Instituto Reúna e ex-secretária de Educação Básica do MEC, afirmou que o contexto pós-pandemia agravou a situação, com muitos licenciandos já apresentando lacunas em sua própria formação em matemática. Segundo ela, não há clareza sobre os mecanismos de apoio oferecidos aos estudantes de licenciatura que ingressam com desempenhos mais baixos no Enem para superar déficits trazidos da educação básica.

Formação inicial e continuada

Smole apontou a separação entre conhecimento matemático e conhecimento pedagógico nos cursos como obstáculo central. A avaliação, explicou, busca medir a integração entre saber o conteúdo e saber ensinar o conteúdo. “O futuro professor aprende Cálculo, Álgebra, Geometria de um lado, e Didática e Psicologia da Educação do outro, mas nem sempre aprende a integrar essas dimensões na prática da sala de aula”, disse.

Em 2025, o MEC também realizou a Escuta Nacional de Professores e Professoras que Ensinam Matemática para mapear dificuldades em sala de aula. O levantamento indicou que apenas 35% dos professores dos Anos Finais e do Ensino Médio relataram ter recebido formação aprofundada em recomposição das aprendizagens em Matemática. Nos Anos Iniciais, esse percentual é inferior a 25%.

Impacto em sala de aula

Os resultados da escuta apontam reflexos diretos na prática escolar: um terço dos docentes dos Anos Iniciais declarou não se sentir preparado ou sentir-se pouco preparado para avaliar em Matemática. Smole observou que essa fragilidade na formação inicial atinge a prática pedagógica, já que muitos professores enfrentam dificuldades para interpretar o raciocínio dos estudantes, identificar a origem de erros e adaptar explicações.

A pesquisa também destacou a presença de ansiedade matemática entre alunos, e que inseguranças dos próprios professores podem levar a práticas mais mecânicas e menos investigativas em sala de aula.

Desafios e políticas públicas

Smole ressaltou que o ensino de Matemática é um desafio sistêmico que exige atenção de gestores municipais, estaduais e federais, com formação docente articulada a políticas de apoio à aprendizagem. Para ela, é necessário construir coerência pedagógica envolvendo currículo, avaliação, formação, materiais didáticos e práticas pedagógicas, além de apoio financeiro e coordenação da União e implementação por estados e municípios.

Em 2025, o Ministério da Educação lançou a Política Nacional Toda Matemática, que tem como objetivo assegurar o direito à aprendizagem de qualidade na educação básica, priorizar aprendizagens essenciais, fortalecer a formação docente e apoiar a recomposição das aprendizagens desde os anos iniciais. Smole destacou que os efeitos da política levarão tempo, mas considerou relevante que o tema passe a ser tratado como agenda estratégica de longo prazo.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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