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domingo, maio 24, 2026

Serviço de personal organizer cresce e pode render até R$ 20 mil por mês

Profissionais organizam ambientes para otimizar rotina e bem-estar; mercado se expandiu na pandemia

Personal organizers — profissionais que planejam e implementam sistemas de organização residencial e corporativa — passaram a atender demanda mais ampla e podem chegar a faturamentos de até R$ 20 mil mensais, segundo relatos de quem atua no setor. O serviço foca na otimização do espaço, na praticidade do dia a dia e no bem-estar do cliente, com atendimentos personalizados conforme perfil e rotina.

A presidente da Associação Nacional de Profissionais de Organização e Produtividade (ANPOP), Ana Alarcon, afirma que o trabalho começa pela compreensão da rotina e das necessidades do cliente, e que não existe um modelo único de organização. Conforme o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a maioria atende residências — de um cômodo a imóveis inteiros —, mas há nichos como closets, mudanças e ambientes comerciais e corporativos.

A profissão tem raízes nos Estados Unidos na década de 1980 e foi se espalhando para outros países. No Brasil, o movimento ganhou força a partir dos anos 2000 e passou por um processo de consolidação há cerca de 15 anos. O crescimento mais recente foi impulsionado pela pandemia, quando casas passaram a abrigar trabalho, estudo e convívio, e também pelo alcance de vídeos de “antes e depois” em redes sociais.

Perfis que mais recorrem ao serviço incluem famílias com jornadas intensas, trabalhadores em home office, pessoas em processo de mudança e clientes com acúmulo de objetos. Em situações de divórcio ou luto, a reorganização domiciliar também é demandada como parte do recomeço.

Não existe formação superior específica exigida: os cursos disponíveis são, em sua maioria, livres e reconhecidos pelo Ministério da Educação, sem caráter de graduação. Investimentos iniciais citados por profissionais variam entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, com cursos mais completos custando entre R$ 1 mil e R$ 3 mil. A ANPOP alerta para ofertas de baixo custo que não entregam a formação mínima necessária e prepara o lançamento, para 2026, de um selo de recomendação para cursos que atendam critérios de qualidade.

Na esfera institucional, a ocupação foi incluída na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) em 2022, e desde 2019 a associação do setor acompanha pedido para criação de um CNAE específico.

Quanto à precificação, não há tabela nacional: profissionais cobram por hora, diária, ambiente ou projeto fechado. A ANPOP relata projetos que variam de R$ 800 a R$ 100 mil, dependendo da complexidade, do tempo necessário, do tamanho da equipe e da compra de materiais. Projetos podem durar de 36 horas a dois meses.

Trajetórias de quem migrou do emprego formal para o negócio próprio mostram possibilidades de renda superiores à do trabalho CLT. Exemplos citados incluem Cora Fernandes, que chegou a faturar R$ 15 mil em períodos de alta demanda; Josi Martins, com cerca de R$ 20 mil mensais ao diversificar serviços e liderar equipe; e Isabela Sekulic, que passou a ganhar, em média, R$ 10 mil mensais apenas com projetos, além da receita com cursos e venda de organizadores.

Especialistas do setor recomendam formação técnica em métodos e processos, capacitação em atendimento ao cliente, marketing e gestão, construção de portfólio com antes e depois, atuação inicial como assistente em equipes e definição de nicho para acelerar a inserção no mercado. A professora Caroline dos Santos Simões, do Senac São Paulo, destaca o baixo investimento inicial e o potencial de crescimento via consultorias online, produtos e treinamentos.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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