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17/09/2025 — Óculos inteligentes viram febre em pegadinhas e elevam alerta sobre exposição de terceiros

Resumo: A popularização de óculos inteligentes, dispositivos equipados com câmera, microfone e alto-falante, tem impulsionado uma onda de pegadinhas gravadas sem o conhecimento de terceiros nas redes sociais. Os vídeos viralizam em plataformas como TikTok e Instagram, mas levantam dúvidas jurídicas e preocupações sobre privacidade e uso indevido de imagens.

O que está ocorrendo

Modelos como o Ray-Ban Meta — lançado no Brasil em setembro de 2025 — permitem gravar e publicar conteúdo sem tirar o celular do bolso. Alguns usuários, porém, têm adulterado o LED indicativo de gravação para ocultar que o aparelho está registrando imagens. Na prática, isso facilita gravações discretas de reações de pessoas em ambientes públicos, como em supermercados, onde uma das pegadinhas populares consiste em esconder um cartão com tecnologia de aproximação na embalagem de um produto e filmar a surpresa do caixa quando a compra é aprovada.

Reações das empresas e plataformas

A Meta afirma que seus óculos acionam uma luz LED sempre que capturam conteúdo e lembra que os usuários são responsáveis pelo cumprimento das leis e pelo uso respeitoso do produto. Em nota, a empresa disse também que os óculos não capturam imagens quando o LED está “tapado”. No entanto, o g1 testou o dispositivo e verificou que, ao cobrir o LED com o dedo, a gravação prosseguiu após comando de voz; a mensagem para liberar o sensor só foi exibida ao aplicar mais pressão e direcionar os óculos a um ambiente mais escuro.

O TikTok informou ao g1 que analisou alguns vídeos apontados pela reportagem e removeu todos por violarem as políticas de privacidade da plataforma.

Aspectos legais e orientação

Especialistas consultados defendem que filmagens em espaço público não implicam automaticamente crime, mas que a publicação sem consentimento aumenta riscos legais. A advogada Patrícia Peck afirma ser necessário obter consentimento específico antes de divulgar imagens de terceiros. Ronaldo Lemos, do ITS Rio, observa que há dispositivos e técnicas para burlar a luz indicativa e que a ocultação deliberada pode constituir conduta fraudulenta com responsabilidade jurídica adicional.

Quem for filmado sem autorização deve reunir provas (prints, link, identificação da conta) e pode recorrer aos canais de denúncia das plataformas, notificação extrajudicial e, se preciso, ação judicial por danos morais. Também há possibilidade de registro de boletim de ocorrência em casos que configurem assédio ou crimes correlatos. A proteção está amparada pela Constituição (art. 5º, X), pelo Código Civil (arts. 20 e 21), pela LGPD e pela Súmula 403 do STJ, que trata de uso não autorizado de imagem para fins comerciais.

Responsabilidade e regulação

Fabricantes, em geral, alegam não ser responsáveis pelo uso indevido do equipamento, mas a responsabilização do usuário que grava e publica imagens sem consentimento é a regra. Patrícia Peck ressalta, contudo, que, sob o Direito do Consumidor, pode haver responsabilidade do fabricante se faltarem mecanismos de segurança adequados. No Brasil, tramita o PL 19/2026, do deputado Carlos Zarattini (PT), que prevê regulamentação sobre óculos inteligentes e cria o crime de vigilância ilícita.

Produtores de conteúdo ouvidos pelo g1, como Juan Eugenio (67 mil seguidores no TikTok) e Rafael Rabyot (1.777 seguidores), confirmaram que é possível burlar o sensor dos Ray-Ban Meta. Juan admitiu ter danificado o LED dos próprios óculos; Rafael afirmou evitar danos ao equipamento e tentar disfarçar a gravação com bonés ou gorros. O g1 também registrou relatos de pedidos de remoção de vídeos por pessoas que reagiram mal ao ver o conteúdo publicado.

A discussão sobre o uso de óculos inteligentes segue em desenvolvimento, e algumas empresas já adotaram restrições internas: em 2025 a MSC Cruzeiros proibiu o equipamento em áreas comuns dos navios, mantendo permitido o uso no embarque, em nome da proteção à privacidade de hóspedes e tripulantes.

Fonte: G1

Evaldo Ribeiro
Evaldo Ribeirohttp://portalemdestaque.com.br
Evaldo Ribeiro é produtor de conteúdo digital e responsável pelo portal Reporter Marechal, atuando na criação, apuração e divulgação de conteúdos informativos de interesse público, com foco regional e relevância para a comunidade.
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