O mercado brasileiro de milho registra queda nos preços em meio ao avanço da colheita da safrinha, baixa liquidez e recuo nas cotações internacionais, segundo agentes do setor. A combinação de maior oferta, retração de compradores e pressão em Chicago tem deixado produtores e consumidores mais cautelosos.
Movimentação na B3 e no mercado físico
Na B3, os contratos futuros fecharam em queda, refletindo também a instabilidade do câmbio e o cenário internacional desfavorável às commodities agrícolas. O contrato de julho de 2026 foi cotado a R$ 66,52 por saca, registrando perda semanal de R$ 0,54.
No mercado físico, a liquidez fraca contribui para a desaceleração das negociações. Há um descompasso entre os preços pedidos por produtores e as ofertas de compradores, o que tem travado operações em diversas regiões. Nos portos, as cotações variam entre R$ 66,00 e R$ 70,00 por saca, enquanto em estados como Paraná e São Paulo os preços oscilam entre R$ 58,00 e R$ 67,00 por saca.
Safrinha e condições climáticas
O ingresso mais intenso da safrinha no mercado amplia a pressão sazonal sobre os preços. Ao mesmo tempo, problemas climáticos em áreas produtoras continuam a preocupar: geadas e frio intenso atingiram lavouras em Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul, afetando expectativas sobre o potencial produtivo da segunda safra e mantendo os produtores em alerta.
Fatores externos e câmbio
No exterior, a Bolsa de Mercadorias de Chicago exerceu forte pressão negativa sobre o milho, com os contratos de julho recuando para US$ 4,58 1/4 por bushel. A queda é atribuída em parte a expectativas sobre avanços nas negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã, que podem influenciar o fluxo global de combustíveis e fertilizantes.
A volatilidade do dólar também influencia o mercado interno: a moeda americana opera próxima da estabilidade, a R$ 5,0210, afetando diretamente os preços nas regiões exportadoras.
Com a continuidade do avanço da safrinha e a perspectiva de elevação da oferta, o setor agropecuário deve enfrentar pressão sobre os preços no curto prazo, embora variações climáticas e oscilações cambiais possam provocar movimentos pontuais de recuperação.
Fonte: Uberlandianofoco


