Um levantamento do Radar Verde revelou falhas generalizadas no controle do desmatamento pela cadeia da carne bovina no Cerrado. Segundo o estudo, 96% dos frigoríficos avaliados apresentam grau muito baixo de compromisso com o controle do desmatamento, indicando fragilidades na rastreabilidade socioambiental do setor.
A pesquisa analisou 225 empresas frigoríficas que operam 262 plantas industriais no bioma. O resultado apontou baixa transparência e capacidade limitada para monitorar a origem do gado ao longo da cadeia produtiva. Apenas 4% das empresas foram classificadas na faixa de baixo compromisso; nenhuma alcançou níveis intermediários, altos ou muito altos de conformidade ambiental.
Grandes nomes aparecem à frente, mas controle efetivo é insuficiente
Entre as companhias que tiveram melhor colocação no ranking do Radar Verde estão Marfrig, JBS e Minerva. Mesmo assim, o relatório ressalta que a maior parte do setor não demonstra mecanismos robustos de controle ambiental, sobretudo no que se refere ao rastreamento integral dos fornecimentos.
O estudo indica que cerca de 3% das empresas avaliadas mostraram algum grau de controle sobre fornecedores diretos. Em relação aos fornecedores indiretos — que abrangem atividades como cria e recria dos animais — não foram encontradas evidências consistentes de monitoramento efetivo.
Transparência insuficiente e falta de respostas ao levantamento
O Radar Verde destaca a ausência de transparência ativa por parte das empresas avaliadas. Nenhuma das frigoríficas respondeu ao questionário enviado para detalhar práticas de monitoramento e controle da cadeia de fornecimento, o que dificultou a verificação pública das ações adotadas.
Cerrado fora dos mecanismos de controle mais robustos
Segundo o estudo, os principais mecanismos de controle socioambiental da pecuária brasileira foram desenvolvidos com foco na Amazônia, e o Cerrado não tem acordo equivalente com força regulatória. Mais de 70% das propriedades do bioma estariam fora do alcance desses sistemas de controle, complicando o monitoramento da cadeia produtiva.
O levantamento lembra que o Cerrado já perdeu metade de sua vegetação nativa e lidera o desmatamento no país, enquanto a conversão de áreas nativas em pastagens e lavouras segue em crescimento. A demanda por rastreabilidade e transparência coloca os frigoríficos em uma posição crítica, segundo o relatório.
Fonte: Uberlandianofoco


