O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) foram oficialmente classificados pelos Estados Unidos como organizações terroristas estrangeiras, com vigência a partir de 5 de junho. O anúncio foi feito pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em postagem na rede social X na quinta-feira, 28 de maio de 2026.
Na publicação, Rubio afirmou que as duas facções estão entre as mais violentas do Brasil e que sua atuação alcança toda a região, inclusive o território norte-americano. Segundo ele, a atual administração pretende empregar todas as ferramentas disponíveis para proteger a segurança nacional dos EUA e impedir o financiamento de grupos que vinculou ao “narcoterrorismo”.
Um comunicado oficial do Departamento de Estado, assinado por Rubio, acompanhou o anúncio e justificou a designação como parte do compromisso do governo em desmantelar cartéis e organizações criminosas na região. O texto está disponível no site do Escritório do Porta-voz do Departamento de Estado dos EUA aqui.
Especialistas ouvidos no texto original indicaram que a medida amplia a legitimidade, para os EUA, de empregar recursos estatais contra esses grupos e possibilita apoio financeiro ou logístico a iniciativas militares destinadas a combater as facções. Danilo Horta, formado em relações internacionais pela UFU e doutorando em ciência política na Unicamp, afirmou que a classificação autoriza o uso de meios estatais americanos para enfrentar os grupos e pode abrir espaço para sanções direcionadas ao Brasil.
A decisão acontece após um encontro entre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-presidente norte-americano Donald Trump. Segundo relato do comunicador Paulo Figueiredo, a qualificação das facções como organizações terroristas foi um dos temas debatidos na reunião.
Repercussão no Brasil
No Brasil, houve posições contrárias à equiparação entre crime organizado e terrorismo. Celso Amorim, assessor-chefe da Assessoria Especial da Presidência e ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores, criticou o que chamou de histórico de interferência dos EUA na América Latina durante discurso no Fórum Internacional de Segurança, em Moscou. Amorim defendeu que o combate ao crime organizado deve ser enérgico, mas alertou que tratar o fenômeno como terrorismo pode não contribuir para a eficácia das ações e destacou a importância de compreender as motivações por trás dos crimes.
O assessor também ressaltou que o Brasil tem ampliado investimentos em defesa, com foco em tecnologia e modernização de equipamentos, visando fortalecer a dissuasão e proteger a soberania, inclusive no aspecto digital.
Em outra referência citada no texto original, foi lembrado que, em janeiro, o então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi detido sob alegações de associação ao que as autoridades classificaram como “narcoterrorismo”.
Fonte: Paranaibamais


