O influenciador digital Felca voltou a usar as redes sociais na semana passada para cobrar avanços no combate aos maus-tratos a animais, tomando como exemplo o caso do cão Orelha. Em vídeo publicado no Instagram, ele afirmou que é positivo o episódio ter causado comoção pública, porque demonstra sensibilidade da população, e criticou a morosidade das apurações: a investigação levou semanas, começou com seis pessoas sob suspeita e, apesar de análises de câmeras e depoimentos, acabou responsabilizando apenas um indivíduo.
Dados e preocupação
Felca destacou dados que considera alarmantes: o Brasil registra 13 ocorrências de maus-tratos a animais por dia. Para o influenciador, sem mudanças estruturais na proteção animal, o caso do Orelha tende a se diluir como mais um episódio isolado, sem consequência prática. “Quando a repercussão passa, os abusos seguem longe de vídeos virais, sem intervenção rápida e, muitas vezes, sem consequência”, afirmou.
Proposta de canal nacional de denúncias
Na mensagem, Felca descreveu também as dificuldades atuais para formalizar denúncias: cada estado adota procedimentos diferentes, os caminhos são confusos e, muitas vezes, a pessoa precisa descobrir sozinha a quem ligar, registrar boletim de ocorrência ou como configurar um flagrante, o que inibe muitas denúncias.
Como alternativa, ele lançou uma petição propondo a criação de um Disque Nacional de Denúncia de Maus-Tratos contra Animais, com atendimento 24 horas e garantia de anonimato. A ideia é ter um número único, simples e acessível que permita acionar autoridades rapidamente em qualquer ponto do país.
Experiências internacionais
Felca citou ainda dados internacionais que indicam que canais de denúncia unificados aumentam o número de registros e aceleram intervenções. Segundo o texto, entre 30 mil e 50 mil animais deixaram de sofrer gravemente ou morrer por ano quando a facilidade de denunciar e a possibilidade de punição aumentaram.
A mobilização em torno do caso do Orelha, segundo o influenciador, mostra que há interesse público em transformar essa indignação em política pública: até terça-feira, 17, a petição havia ultrapassado 750 mil assinaturas.
Homenagem no Carnaval
No desfile de segunda-feira, 16, a Mocidade Independente de Padre Miguel, no Grupo Especial, prestou homenagem ao cão Orelha em um carro alegórico que também celebrava Rita Lee. A placa com o nome “Orelha” foi colocada entre esculturas de cães, e a alegoria contou com representantes da causa animal, ressaltando proteção e respeito aos animais.
Frase
“O aumento das denúncias mostra que estamos menos dispostos a naturalizar a crueldade, especialmente quando ela atinge quem não tem como se defender”, afirmou a psicóloga Candice Galvão.
Com informações de Gazetadotriangulo

