A elevação nos preços do pão francês e de outros derivados da farinha está acelerando a modernização da cadeia produtiva do trigo no Brasil. A combinação de queda na safra interna e maior dependência de importações tem estimulado o setor a adotar tecnologias para elevar a eficiência e reduzir perdas.
Quem e o que: Produtores, moinhos e indústrias ligadas ao trigo vêm procurando soluções tecnológicas para enfrentar a pressão sobre custos e oferta. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de trigo deve recuar 19% até o final de 2026, atingindo cerca de 6,3 milhões de toneladas.
Quando e onde: A projeção vale para o período que se encerra em 2026 e refere-se à produção no Brasil, em um momento em que o consumo interno segue elevado, estimado entre 12 e 13 milhões de toneladas por ano.
Dependência externa e pressão nos preços
A menor oferta doméstica e o maior recurso a importações aumentam a exposição do setor às variações cambiais e aos custos logísticos, o que repercute no preço final ao consumidor. Produtos como pão francês, massas e biscoitos mostram efeitos diretos dessa dinâmica.
O economista Adenauer Rockenmeyer ressalta que a volatilidade influencia todas as etapas da cadeia: produtores encaram margens mais apertadas e as indústrias lidam com despesas imprevisíveis. Em resposta, moinhos têm recorrido a contratos futuros como forma de mitigar riscos.
Tecnologia como solução estratégica
Para amenizar os impactos da menor safra e da oscilação de custos, o setor tem apostado em automação de análises laboratoriais e em agricultura de precisão. Essas ferramentas permitem decisões mais rápidas e maior controle de qualidade ao longo do processo produtivo.
Entre os equipamentos citados estão o Mixolab e o SpectraStar XT-F, voltados ao monitoramento de parâmetros críticos como teor de umidade e propriedades reológicas da farinha. Com dados mais precisos, as indústrias conseguem ajustar formulações e reduzir perdas durante a produção.
Investimentos para um futuro sustentável
Especialistas do setor apontam que a modernização demanda aportes relevantes em infraestrutura e tecnologia. A busca por novos instrumentos de financiamento, inclusive via mercado de capitais, é vista como essencial para acelerar a transformação, especialmente em um cenário de juros elevados.
Segundo esse diagnóstico, a adoção de tecnologias não apenas ajuda a enfrentar os problemas atuais, mas também pode preparar a cadeia do trigo para operar com maior resiliência e autonomia, contribuindo para a estabilidade do mercado e a manutenção do abastecimento ao consumidor.
Fonte: Uberlandianofoco


